[[legacy_image_207857]] A cultura é um bem universal, uma herança comum da humanidade. É o que afirma a declaração da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre a Diversidade Cultural. Assim, é importante preservar patrimônios culturais imateriais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Prefeitura de Santos sancionou três patrimônios imateriais nos últimos meses: a capoeira, o pão de cará santista e o futebol de várzea. Em entrevista para A Tribuna, o escritor e historiador, Odair José Pereira, explicou o que isso representa. “Como o próprio nome diz, é um tipo de patrimônio que não é materializado de forma física. A gente não consegue segurar objetivamente. Estamos falando de coisas que são ligadas a história, a formação de identidade de um lugar e que guardam tradições. Algo transmitido por gerações”, afirma. Segundo o historiador, como atualmente as coisas mudam rapidamente, a formação de identidade e a ligação com o passado são formas de manutenção de uma sociedade. Por isso, a preservação e valorização desses patrimônios auxiliam até mesmo na formação da cidadania de uma pessoa. A identidade de Santos é representada por sua cultura. Sendo assim, sua prática reforça as origens da Cidade. “Quando a gente identifica patrimônios imateriais é uma forma de manter aquela sociedade ou um grupo popular unidos e ligados a uma história em comum”, conta. Contudo, para ser considerado um patrimônio imaterial precisa existir alguma peculiaridade no modo em que é feito que seja passado por gerações. “O pão de cará de Santos precisa ter algumas peculiaridades em relação aos pães produzidos em outros lugares para ter essa classificação”, diz. Caso não tenha essa relação diferença entre os costumes locais dos demais, há uma quebra de valor. “Se não for dessa forma, há o risco de banalizar e tudo vira patrimônio fazendo com que se perca o sentido original que é de guardar as práticas e sua singularidade”, reforça. “Há um perigo. Porque o patrimônio imaterial tem que estar ligado a uma prática histórica reconhecida pela comunidade como local por um longo tempo. Se a gente começa a transformar as coisas em patrimônio histórico imaterial, a gente perde o sentido inicial de preservação e vira um pouco de politicagem”, comenta. Por sua vez, a ex-secretária de Cultura de Santos e mestre em História Social, Wilma Therezinha Fernandes de Andrade, acredita que os maiores patrimônios imateriais que a Cidade tem estão na gastronomia. “Uma vez estava em Mato Grosso, paramos em uma lanchonete e eu, muito santista, pedi um leite pingado e o homem me serviu leite com uma garrafa de pinga. Tive que explicar que era com café”, relembra. Para a historiadora, a meca santista, o arroz de braga e a caipirinha, que segundo ela foi criada na Cidade, também deveriam ser considerados patrimônios imateriais. Além da tradicional feijoada e do leite pingado. A ex-secretária de cultura reforçou que a ligação entre a gastronomia, história e cultura pode atrair turismo para Santos. Ela também acredita que o tamboréu e o futebol de praia deveriam ser discutidos como práticas culturais da Cidade. “O patrimônio que a gente toma conhecimento hoje é uma herança cultural. Os bens imateriais dependem da cultura, de você conhecer. Você não pode adquirir uma herança imaterial se você não a conhece”, explica. Wilma conta que você se torna proprietário daquilo que aprende. Por isso, é necessário ter contato direto com a cultura para mantê-la. “Quando você conhece, você se torna naturalmente herdeiro daquela cultura. Aquilo se torna seu. Você não pode se apoderar de um patrimônio imaterial, se você não sabe que ele existe”, informa. Para isso, é necessário conhecer e utilizar a cultura em um geral para preservá-la e continuar cultivando sua história por gerações, assim você mantém um patrimônio imaterial e se torna dono dele. Em nota, a Prefeitura de Santos afirma que apoia e divulga permanentemente todos os patrimônios do Município, inclusive os considerados imateriais, estes de suma importância porque valorizam a cultura da Cidade e dos santistas. No entanto, não especifica quais ações são tomadas para a divulgação e exaltação deles, nem se há planejamento de futuras campanhas envolvendo eles.