A única providência foi a colocação de tapumes para isolar a área no Canal 4, em Santos; estreitamento da ciclovia traz riscos (Alexsander Ferraz/ AT) Medo de acidentes, insegurança e sensação de abandono. Esses são os sentimentos de moradores diante da destruição do talude do Canal 4, no pontilhão da Rua Ministro João Mendes, que há mais de quatro meses segue sem reparos em Santos, no litoral de São Paulo. A Prefeitura afirma que as obras na Avenida Siqueira Campos devem começar nesta semana e durar cerca de dois meses. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme noticiado por A Tribuna em janeiro, moradores do Canal 4 já demonstravam preocupação com o desmoronamento da parte interna do canal, ao lado da ciclovia. Na época, a Prefeitura informou que “o trecho foi impactado pelas chuvas e o lugar estava devidamente sinalizado”, além de afirmar que a Defesa Civil elaborava um relatório com recomendações de segurança e proteção do patrimônio histórico. Desde então, a situação piorou. A Reportagem esteve no local e constatou que a parede do canal está bastante deteriorada, com rachaduras, limo e parte da ciclovia empenada. Também identificou presença de ratos e baratas no trecho. Moradores O designer Adilson Secco, de 60 anos, que mora na esquina do local, afirma que, desde o desmoronamento, a única providência tomada foi a instalação de um tapume, bloqueando metade da ciclovia. “O buraco está avançando para a ciclovia e para a pista dos automóveis, o que considero o maior risco. Como o fluxo é muito grande, principalmente no horário de rush, pode acontecer algum acidente com motoristas ou ciclistas. A ciclovia está cedendo e, conforme chove, a água vai lavando a areia que sustenta a estrutura”. Segundo ele, o risco aumenta em períodos de chuva forte e maré alta. “É um acidente acontecendo lentamente diante dos nossos olhos, há quatro meses, sem providência”. A professora aposentada Andréa de Souza Almeida, de 62 anos, afirma se sentir assustada. “Todos os dias vejo pela janela do apartamento a situação piorar. Não tenho esperança de que isso será resolvido rapidamente”. Ela teme acidentes envolvendo moradores, idosos, crianças e trabalhadores que passam diariamente pela região. O estudante de Direito Guilherme Rodrigues Rojas, de 20 anos, que costuma passear com o cachorro pelo local, diz que a situação atrapalha pedestres e ciclistas. “Fecharam um lado da via e o outro ficou apertado para quem passa de bicicleta ou a pé. Faz quatro meses que está assim, mas as rachaduras existem há mais de seis. Quando ando de bicicleta pela praia, tento mudar a rota pelo Canal 5, porque aqui está interditado e tenho medo”. Um trabalhador, que não quis se identificar, relata já ter visto ciclistas e pedestres caindo no local. Ele reclama do mau cheiro e da presença de ratos e baratas. “Tem limo, sujeira e falta de manutenção”. Prefeitura A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos de Santos informou que a contratação emergencial para recuperação do trecho já foi finalizada. O contrato foi assinado e publicado no Diário Oficial da última quarta-feira. A previsão é que a instalação do canteiro de obras ocorra nesta semana. O serviço está orçado em cerca de R\$ 340 mil e a expectativa é de que a recomposição do trecho seja concluída em até dois meses, dependendo das condições climáticas. O local permanece isolado, com orientações aos usuários da ciclovia.