[[legacy_image_304537]] Por muito tempo, o câncer de mama foi encarado como uma “sentença de morte” por quem era diagnosticado. A prevenção e o tratamento, além da acolhida de entidades, como o Instituto Neo Mama, têm ajudado a mudar esse panorama. Neste domingo (15), a 12ª Caminhada do Outubro Rosa, realizada em volta do Aquário Municipal (Praça Luiz La Scala s/nº) na Ponta da Praia, em Santos, serviu para celebrar a vida e o legado de sua idealizadora e fundadora, Gilze Francisco, que morreu em 2021 aos 60 anos. Cada camiseta, sombrinha ou fita rosa, nas dezenas de pessoas ao longo do trajeto, tinha um pouco dela. Veja o vídeo mais abaixo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Não é só uma caminhada, mas uma celebração da vida. Todos sambando, acompanhados pela bateria da União Imperial. Há mulheres já recuperadas do câncer, outras em tratamento. E a Gilze está em todas elas, na luta, na disposição e no amor à vida”, lembraram o presidente do Instituto Neo Mama, José Luiz Neto Francisco. Como numa licença dada à própria Gilze, os céus não mandaram chuva para o evento, mas sim, se abriram numa manhã de sol e calor. Cansaço? Nenhum, como atestava a professora de ioga e voluntária Bia Esteves, de 83 anos. Morando em Santos há um ano e meio e sempre teve o voluntariado como propósito de vida, encontrou no Neo Mama o espaço perfeito para se dedicar às pessoas que lutam contra o câncer. “Estou amando. Aqui, as mulheres se encontram, se reconhecem e se unem. Os sorrisos com que uma pessoa nova é recebida no Instituto são uma bênção. E eu procuro focar na parte da espiritualidade, da fé dessas mulheres”, explica. Pela curaPouco antes da largada, a advogada Edvania Nunes de Souza, de 43 anos, acompanhava o movimento. Sua luta está em andamento. “Descobri o tumor no início do ano, em um exame de rotina. Estou na metade do tratamento, já fiz três sessões de quimioterapia”, descreve. Ela diz que o apoio de familiares e amigos tem sido fundamental. Mas a opção dela da forma como encarar a doença tem redobrado a confiança. “Tinha duas opções: ficar deitada numa cama ou voltar a viver. Espero, no próximo ano, estar aqui de novo e contar que vencei essa luta”. “A caminhada do Outubro Rosa faz parte do calendário oficial da Cidade, virou uma tradição, mas nunca é demais falar da importância do câncer de mama, da importância das mulheres fazerem seus exames regularmente. A possibilidade de cura, quando descoberto no início, é muito grande”, afirma a vice-prefeita e secretária da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos, Renata Bravo (PSDB). Recanto do Mar Gilze Francisco é mais que uma ideia, mas, a partir deste domingo, empresta nome a um espaço físico. O Recanto do Mar, um espaço paisagístico com um pergolado construído pela Ecofábrica da Zona Noroeste, ajudam a reforçar a memória de uma das precursoras do Outubro Rosa no país. “Ela é um símbolo que transcende a Cidade de Santos, no combate e prevenção ao câncer de mama. Esse espaço sempre será um ponto de encontro para que as pessoas sempre lembrem como a prevenção é importante”, afirma o prefeito Rogério Santos (PSDB). Ali, junto a uma foto de Gilze, a frase que virou um ensinamento. “Acima das nuvens escuras, sempre haverá um sol brilhando”. “Era o pensamento dela. De que, mesmo em meio às dificuldades e desafios do tratamento do câncer, tudo iria melhorar”, acrescenta Francisco.