[[legacy_image_317402]] Para quem trabalha no comércio e na prestação de serviços, um dinheiro a mais, no final do ano, faz muito bem. No entanto, uma velha prática, a caixinha de Natal, está em processo de mutação. Ainda há quem mantenha a velha embalagem de papelão à espera dos mais generosos. Mas a modernidade nas transações financeiras, especialmente a chegada do Pix, vem transformando esse ato de generosidade. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Geralmente, se encontram nos lugares aquelas caixinhas de Natal convencionais onde as pessoas colaboram com dinheiro físico, em nota e moedas. A nossa colaboração é via Pix ou QR Code e foi pensada nos dias atuais, onde se tem muita praticidade em pagamentos e recebimentos. Como em nosso condomínio tem muitos apartamentos, nada melhor do que facilitar pra todos”, explica a zeladora do condomínio Vianna Home, Aline Rocha Elias. Segundo ela, na data de distribuição dos valores, o extrato dos recebimentos será exibido a quem colaborou, para dar transparência a quem vai receber sua parte. “Começamos há poucos dias, mas acredito que será um sucesso”, prevê. Próximo dali, em um espaço de beleza feminina, funcionárias adotaram, por conta própria, a caixinha via Pix. Cada setor tem a sua. “Foi um pedido de muitas clientes, porque é mais fácil do que dar em dinheiro. Assim, cada uma deposita o quanto desejar”, diz uma funcionária, sob anonimato. [[legacy_image_317403]] TradiçãoOs estabelecimentos que mantêm a prática, mesmo no modo raiz, garantem a alegria das colaboradoras. “Aqui, a gente trabalha com esta caixinha tradicional mesmo. Se for caixinha no cartão, depois passamos o dinheiro para ali. Dá para tirar uns R\$ 150,00 no mês e comprar algo legal”, diz Pedro Henrique dos Santos Rodrigues, funcionário de um estacionamento na Rua Oswaldo Cruz, no Boqueirão. Um tipo de estabelecimento onde a caixinha sempre caiu bem é o restaurante. Mas alguns também mudaram a prática. “Não tem muita gente, não. Para quem pede, a gente inclui R\$ 5,00, R\$ 10,00 (na compra no cartão), dá o dinheiro para ele e ele põe (na caixinha). Mas são pouquíssimos. Tem lugares que não vão querer fazer isso, porque a operadora cobra uma taxa”, afirma Suzele Correia, dona de um restaurante no mesmo bairro. No caso de quem paga por Pix, a mesma coisa. Um exemplo: a conta é de R\$ 30,00. O cliente paga R\$ 35,00 e, dali, retiram-se R\$ 5,00 para a caixa. “Não tem mais tanta caixinha. Acho que as caixinhas são pedidas em tantas ocasiões que as pessoas selecionam algumas para colaborar”, lamenta. Há, ainda, lojas que não praticam a caixinha entre os funcionários, mas vendem as peças de papel para quem deseja fazê-lo. É o caso das papelarias. Ao custo médio de R\$ 10,00, têm tido boa saída. “Dá para adaptar do jeito que preferir, com corte por cima ou na lateral”, ensina a vendedora Elvira Correa. [[legacy_image_317404]] Amigo pãoPresidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Santos (Sinaspan), Antônio Pires Gomes crê que a prática da caixinha vem entrando em desuso em muitos estabelecimentos. Mas, no caso da panificação, isso ainda não é observado, mesmo que seja no modo convencional. “Cada vez menos, as pessoas acabam utilizando o dinheiro como forma de pagamento e isso acaba comprometendo, sim, a caixinha dos funcionários. No entanto, no setor de panificação, até pelo valor do tíquete médio, que ainda é baixo, você ainda tem ali uma movimentação em espécie”, aponta. O resultado dessa boa troca é a garantia de um dinheiro extra. “Como os clientes frequentam a padaria várias vezes por semana, eles acabam se programando para deixar aquela caixinha para o funcionário que ele atendeu durante todo o ano”, menciona Gomes.