“É um ponto de referência para os moradores do bairro e possui uma arquitetura representativa do estilo art déco”, diz presidente do órgão (Vanessa Rodrigues/AT) Ela faz parte da paisagem da Avenida Pedro Lessa, na Aparecida, em Santos. Pois a caixa d’água situada no terreno hoje ocupado pela policlínica do bairro deve ter seu processo de tombamento reativado após 15 anos. A decisão é do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o presidente do órgão e também secretário de Desenvolvimento Urbano, Glaucus Farinello, o pedido para tombamento foi feito pelo próprio órgão em 2009, sem uma conclusão. “Na ocasião, se discutia a necessidade da preservação de imóveis na área da antiga Vila Santista. A Zona Leste de Santos possui hoje poucos imóveis protegidos e vem enfrentando intenso processo de adensamento e verticalização, fazendo-se necessária a preservação de sua memória e paisagem”, afirma. Farinello acrescenta que “a caixa d'água é um ponto de referência para os moradores do bairro e possui uma arquitetura representativa do estilo art déco na Cidade bem preservada, além de ser um dos primeiros edifícios em concreto armado fora da área central”. Segundo o presidente do Condepasa, o estudo de tombamento entrará no cronograma já existente de processos semelhantes e será analisado pelo órgão em data ainda não definida. O “destravamento” do processo de tombamento da caixa d’água é parte, de acordo com Farinello, de um processo para melhorar o trabalho do Condepasa. “A gente se deparou com vários pedidos de tombamento em aberto, que careciam de andamento. Para se ter uma ideia: eram 13 bens em estudo de tombamento e mais 18 com pedido para abertura. Alguns estudos e pedidos estão há mais de dez anos. Então, firmou-se um compromisso de rever esses processos, arquivar o que não tem valor, e dar andamento no que for necessário”, argumenta. Isso implica, por exemplo, definir um prazo para conclusão do processo da caixa d’água. “Teremos apenas uma lista, que é a dos processos em estudo de tombamento. A partir disso, conseguiremos calcular o tempo aproximado da análise, pois depende da nossa demanda, ou seja, da quantidade de pedidos abertos e da lista de prioridades, pois precisa obedecer a uma fila que é analisada e decidida pelo conselho.” Conforme Farinello, o objetivo é desfazer uma imagem de morosidade e a pecha de órgão do “não pode”, que resiste em parte da população. “Todos os pleitos são legítimos, mas carecem de um rito, um embasamento, para que se demonstre o eventual valor. (A análise) Deve passar pela audiência pública e, após isso, levamos para o conselho, que delibera. Não pode mais é empurrar com a barriga.” Um marco santista O reservatório de água da Avenida Pedro Lessa foi construído em 1938 pela Companhia City, visando ao atendimento daZona Leste de Santos, que vivia o primeiro momento de sua ocupação no entorno da chamada Vila Santista — correspondente, hoje, a partes dos bairros Macuco, Embaré, Aparecida, Estuário e Ponta da Praia. Ela complementava o sistema original de abastecimento de água inaugurado no início do século 20, reconhecido por seu pioneirismo e sua importância histórica para a Cidade, juntamente com os sistemas de drenagem e esgoto. O local serviu como reservatório de água até meados da década de 1970, superado pelo reservatório subterrâneo do Morro Voturuá, mas continuou a operar como escritório, base de funcionários e garagem de veículos de manutenção e reparos do sistema. Isso foi até meados da década de 2010, quando passou à administração da Prefeitura.