[[legacy_image_8008]] Uma possível erosão assusta moradores e coloca em risco a próxima festa em homenagem à Nossa Senhora do Monte Serrat, a Padroeira de Santos. A menos de dois meses do evento que leva anualmente mais de 20 mil pessoas ao morro santista, buracos expõem a distância de cerca de um metro entre a camada de concreto da escada e o solo. Dependendo do risco, há a possibilidade de a administração da igreja pedir para que a multidão não suba o morro. A medida quebraria a tradição da festa da padroeira – cuja imagem desce em 25 de agosto e retorna ao santuário, no alto do morro, em procissão, no dia 8 de setembro, após a bênção da cidade em frente ao Paço Municipal. Basta caminhar pelos degraus da escadaria para perceber que o solo foi perfurado recentemente de forma regular, para verificação do problema. Há buracos nos degraus até o 13º painel, que narra a Via Crucis. A Reportagem mediu a profundidade e, perto do primeiro nicho, logo no início da subida, há cerca de 60 centímetros de distância entre a escada e o concreto. Logo em frente, onde há um cerco contra acidentes, a profundidade é de um metro. A comunidade reclama das falhas. 'Remendada' “Todo ano, quando chega perto da data da santa, a prefeitura dá uma remendada e fica cada vez pior. Vai caindo chuva, entrando água e aumentando o risco”, conta Maria Cícera Alves, aposentada de 72 anos e que mora no Monte Serrat desde os 12. A dona de casa Inês da Silva, de 47 anos, ressalta o medo de uma tragédia acontecer. “É erosão, porque vira e mexe a escada quebra. Tem muita nascente aqui, a água mina tudo e não tem por onde sair. Precisava de escoamento e setembro está chegando. Com o fluxo de gente que sobe e desce, você acha que vai aguentar?” A técnica de enfermagem Soraia Alves Oliveira, de 44 anos, conta que o marido viu um buraco perto de sua residência e foi verificar do que se tratava. Depois disso, o medo da família só aumentou. “Meu marido jogou água num ponto e ela não foi direto para as valas. As galerias podem estar quebradas e começamos a correr atrás. Ele já falou com o papa, bispo, todo mundo e nada ainda”. Reunião Nesta terça-feira (2), houve um encontro entre representantes do morro, da igreja, da Sabesp e da prefeitura, mas a Defesa Civil não participou. O padre Claudenil Moraes, pároco da Catedral de Santos e Santuário Nossa Senhora do Monte Serrat, no alto do morro, estava lá. Ele diz que a expectativa é que tudo esteja reparado o quanto antes. Contudo, se nada mudar e a Defesa Civil apontar que há risco, ele não descarta cancelar a tradicional procissão de subida. “A decisão não está em nossas mãos. É confiar para que os organismos envolvidos tomem os cuidados para que tudo esteja dentro do esperado. Mas, no estado em que está hoje, por prudência, a gente impediria ou tentaria impedir a subida da multidão. Isso para não sermos coniventes com um possível acidente”, ressalta o padre. Resposta Em nota, a prefeitura afirma que a Sabesp esteve ontem no local realizando reparos, após a constatação de fuga de materiais sob o piso, por técnicos da prefeitura. Quando o serviço da concessionária chegar ao fim, a Subprefeitura dos Morros irá concretar os pontos abertos. A administração municipal garante que os reparos estarão terminados até o dia da festa. Na mesma nota, a Defesa Civil informa que ocorrem constantes vistorias no local. As autoridades santistas garantem, ainda, que os fiéis terão total segurança no dia do evento.