[[legacy_image_253579]] O ditado é antigo, sempre recebe adaptações e nunca sai de moda: família que vende unida, permanece unida. Silvana Souza, de 27 anos, moradora da Caneleira, comercializava brigadeiros e inspirou a tia Verônica de Souza Santana, de 38, que mora na Vila Belmiro, a fazer o mesmo, mas com empadas. Entre doces, salgados e muita simpatia, a dupla vive totalmente do negócio, fazendo sucesso em vários bairros de Santos. A dupla passa de cinco a seis horas por dia nas ruas, sem se importar se está sol ou chovendo. “Não tenho ideia de quanto andamos. Em meio às vendas, a gente para para beber uma água e comer alguma coisa”, conta Verônica. Em média, Verônica vende de 25 a 40 empadas por dia (a unidade é R\$ 6,00 e ela também faz duas por R\$ 10,00), alcançando um faturamento médio diário de R\$ 120,00. “Antes do meu esposo começar a trabalhar, vivíamos 100% com a venda das empadas. Hoje, com o lucro, consigo ajudá-lo com as despesas da casa”. Já o faturamento de Silvana com os brigadeiros é mais doce ainda: em torno de R\$ 350,00. “Vivo 100% da confeitaria. Pago todas as contas com as vendas dos brigadeiros, seja luz, gás e contas pessoais”, detalha a vendedora. O roteiro dos locais e bairros percorridos pelas vendedoras é variado. Elas vão de comércio em comércio; passam em pontos como escolas a salões de beleza. Atualmente, concentram-se na Avenida Nossa Senhora de Fátima (Zona Noroeste), Jabaquara, Vila Mathias e Centro. “Temos muitos clientes fixos e todos os dias conquistamos mais”, comemora Silvana. O começoNo início de 2019, Silvana estava desempregada e teve a ideia de fazer brigadeiros para vender nas ruas. “Lembro-me de assistir alguns vídeos no YouTube para saber um pouco mais e iniciar as vendas”, lembra. Em dezembro daquele ano, conseguiu um trabalho registrado e deu uma parada com os doces. Mas não por muito tempo: ao perceber que ninguém passava vendendo quitutes, retomou a produção para ‘consumo interno’. “O pessoal amou”. Não demorou, começaram as encomendas. A princípio, tentou conciliar os trabalhos; mas logo precisou decidir: em janeiro de 2021, Silvana seguiu apenas na confeitaria. InspiraçãoDurante um almoço de família, em junho do ano passado, Silvana plantou uma sementinha no coração da tia Verônica. “Lembro de comentar que um dos meus objetivos era inspirar outras mulheres e mostrar que somos capazes”, relembra Silvana. Casada, Verônica e o marido estavam desempregados na época. E não era só: ela estava fora do mercado de trabalho há cinco anos. As empadas vieram por si: Verônica lembrou que a irmã, mãe de Silvana, que também faz salgados, tinha algumas formas de empada. o YouTube também entrou em cena para o aprendizado e a produção começou. “Todos que provaram, amaram. E o melhor: também amei fazer. Para mim, naquele momento, foi uma verdadeira terapia, porque não estava em uma época muito boa da minha vida”. A comercialização teve início em casa, com divulgação nas redes sociais, e agradou tanto que Verônica foi vender as empadas nas ruas com a sobrinha, a ponto de ajudar a família de outras formas. "Foi, inclusive, por uma venda dessas, em que meu esposo estava comigo, que ele voltou ao mercado de trabalho", afirma. Juntas, porém...Apesar do sucesso, Silvana e Verônica não pensam em expandir a quantidade de produtos e, sim, continuar na especialização no que vendem. No caso dos brigadeiros, o tradicional segue como o mais comercializado, como clássico que é. "Mas também fazemos brigadeiros diferenciados, como de açaí, Romeu e Julieta e Creme brúlée. O pessoal fica curioso com essas combinações diferentes, chamando a atenção dos clientes e encantando pelo sabor", conta Silvana. Já quando o assunto é empada, o tradicionalismo também impera, sendo a de frango a mais procurada. "Vendo outros sabores, inclusive de calafrango, que para os clientes acaba sendo novidade, e é uma das queridinhas também. Quero arriscar outros sabores diferentes", revela Verônica. O sonho das duas é o mesmo: local fixo para as vendas, porém um para Silvana e outro para Verônica. Enquanto isso não acontece, as duas seguem ganhando as ruas de Santos. "É uma combinação perfeita: brigadeiros e empadinhas. Somos companhia uma para a outra. O trabalho fica mais leve, nos divertimos, conversamos e ajudamos uma a outra. Juntas somos mais fortes", afirma.