Dom Joaquim Mol é bispo diocesano em Santos (Alexsander Ferraz/ AT) Em carta sobre as eleições deste ano, publicada nesta segunda-feira (7), o bispo diocesano da Igreja Católica Romana em Santos, dom Joaquim Mol, chamou fiéis da Baixada Santista à “participação na vida social e política” e orientou religiosos e candidatos a não transformar celebrações “em espaços de campanha eleitoral”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mol escreveu que, para “evitar divisões e preservar a consciência de fiéis, durante o período eleitoral”, padres e diáconos deverão se abster de manifestações, em público ou em redes sociais, que, “em razão de sua condição, possam assumir caráter público ou ser compreendidas como posicionamento partidário”. O bispo também se dirigiu, ao mesmo tempo, a candidatos a cargos públicos e fiéis ao escrever que “a natureza da liturgia é o culto a Deus e a santificação do seu povo. (...) Os candidatos devem ser bem acolhidos às igrejas como qualquer outro fiel, desde que sua presença não resulte em promoção eleitoral, tratamento privilegiado e constrangimento da assembleia”. Ainda: “Nesse sentido, não convém a participação destacada de candidatos e agentes políticos nas celebrações, seja na proclamação da Palavra, pela qual Deus fala ao seu povo, seja ocupando, em razão de sua condição política, lugares de destaque ou reservados aos ministros leigos e ordenados”. Sem indiferença O bispo destacou que “a Igreja Católica não possui nem pretende apresentar um projeto político-partidário. Isso, porém, não significa indiferença diante da vida em sociedade (...) Não podemos renunciar à política nem nos omitir diante dela”. “O voto não deveria ser simplesmente anulado, utilizado como moeda de troca ou reduzido a instrumento de protesto. É necessário conhecer os candidatos, suas trajetórias e propostas, bem como os partidos aos quais estão filiados, perguntando-nos de que modo nossas escolhas poderão afetar concretamente a vida das pessoas”, discorreu Mol. Na visão do bispo diocesano, “o legítimo debate político não pode transformar aquele que pensa diferente em inimigo a ser destruído”, com elementos como “agressividade” e “disseminação de informações falsas”. “Para nós, cristãos, seguir Jesus Cristo implica testemunhar que a unidade é superior ao conflito e rejeitar o ódio, a ganância e toda linguagem de domínio”, escreveu. Em Santos, conforme o Censo 2022, dos 380.662 moradores com 10 anos ou mais, 224.520 (59%) se declararam católicos. A íntegra da carta está aqui.