Foram 279 dias até que o bebê Zenaldo Soares de Oliveira Netto pudesse sentir o sol fora da janela do hospital. Nascido em 31 de outubro do ano passado, ele nunca havia deixado o Hospital Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, onde estava internado desde o parto. Nesta quinta-feira (6), ao receber alta respirando sozinho, transformou em superação uma história que começou ainda na gestação, quando médicos afirmaram que ele seria “incompatível com a vida”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao som do louvor Se Eu Não Te Ouvir, da cantora Sarah Farias, interpretado pela violinista Talita Vidal, Zenaldo, cercado pela família e pela equipe hospitalar, deixou o hospital em uma “saída triunfal”, como definiram os pais. Um banner de alta, preparado pela equipe das UTIs Neonatal e Pediátrica, também marcou o momento. “A minha maior sensação, hoje, é gratidão”, disse a mãe, Taynara Ohana da Silva. Moradores de Itanhaém, ela e o pai, o pedreiro Zenaldo Soares de Oliveira Filho, fizeram o pré-natal no HGA. Os exames apontavam malformações como ausência de cérebro, crânio e osso nasal. Médicos os orientaram a interromper a gestação. A família, porém, decidiu seguir com a gravidez. “Fiz um voto com Deus e, cinco dias depois, outro exame mostrou que ele tinha desenvolvido o crânio, o cérebro e o osso do rosto”, conta a mãe. Bebê teve alta do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos (Alexsander Ferraz/AT) O bebê, porém, nasceu com braquicefalia (alteração na formação do crânio), agenesia do corpo caloso (condição neurológica que afeta funções do organismo) e hipotonia (redução da força muscular que dificulta respirar). Internada desde o nascimento, Zenaldo dependeu de ventilação mecânica por oito meses e passou por traqueostomia. Teve desnutrição severa. Mas, durante a recuperação nutricional, “do dia para a noite, ele começou a respirar sozinho”. A coordenadora da fisioterapia da UTI Pediátrica, Suzana Costa, afirmou que a recuperação surpreendeu até mesmo a equipe. “Era todo dia, 30, 40 minutos, e a gente glorificando os segundos que ele ficava fora da ventilação”, relata a coordenadora de enfermagem, Ellen Karina dos Santos, que classifica Zenaldo como “um milagre”. Agora em casa, o bebê continuará acompanhado pelo HGA nas especialidades cirúrgicas e pela rede municipal de Itanhaém, para seguimento ambulatorial de alto risco. Mesmo com traqueostomia e gastrostomia, para alimentação, já respira sem necessidade de ventilação mecânica. “Vamos seguindo a luta, diariamente, com fé em Deus. Agora já deu tudo certo”, disse o pai. A mãe, que morou no HGA por mais de seis meses, sabia qual seria a primeira coisa que pretendia fazer. “Dormir”, afirmou, sorrindo.