A iniciativa foi criada pelo proprietário do estabelecimento, Rogélio Alves, de 30 anos, após observar casos de assédio que ocorriam em bares e restaurantes (Redes sociais/ Rogelio Alves) Um bar de Santos, no litoral de São Paulo, adotou uma estratégia discreta para ajudar mulheres que se sintam em situação de risco ou desconforto durante um encontro ou saída noturna. No Meu Lugar Bar, localizado na Rua Almirante Tamandaré, no bairro Estuário, clientes podem pedir um “drink do socorro” para sinalizar à equipe que precisam de ajuda. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A iniciativa foi criada pelo proprietário do estabelecimento, Rogélio Alves, de 30 anos, após observar casos de assédio que ocorriam em bares e restaurantes. Segundo ele, a ideia surgiu a partir de exemplos vistos fora do país e foi adaptada para a realidade do bar. “A gente viu um exemplo de um restaurante de outro país fazendo isso e falou: ‘vamos executar, vamos colocar em prática, porque tem total sentido’”, contou. O sistema funciona de forma discreta. Caso a mulher peça o drink específico, cujo nome não aparece no cardápio, a equipe entende que ela pode estar em uma situação desconfortável. A partir disso, é iniciado um protocolo para separar a cliente da pessoa que está com ela. O aviso com o nome do drink está colado em uma placa atrás das portas dos banheiros femininos. O treinamento envolve garçons, gerência e outros funcionários do bar. O objetivo é retirar a mulher do local sem chamar atenção. “O garçom já está treinado para fazer aquela cara de normalidade, retirar o pedido e avisar a gerência. Depois, a equipe se aproxima e cria alguma situação, como chamar para uma foto, para conseguir tirá-la dali”, explicou Alves. -Bar drink socorro Santos (1.505477) Após a separação, os funcionários conversam com a cliente para entender o que aconteceu. Dependendo da situação, a Polícia Militar pode ser acionada. “Ela pode contar desde que o homem tentou beijá-la, puxou pelo braço, passou a mão ou falou algo que a deixou desconfortável. Qualquer situação dessas, a gente liga para o 190”, afirmou. As placas com a orientação sobre o pedido do drink ficam apenas dentro dos banheiros femininos, fixadas nas portas das cabines, para que apenas as mulheres tenham acesso à informação. De acordo com Alves, o sistema existe desde os primeiros anos de funcionamento do bar, que hoje tem quatro anos. Apesar disso, o pedido do drink nunca precisou ser feito formalmente. “Graças a Deus, nunca foi necessário usar essa técnica. Já houve situação em que percebemos o incômodo de uma cliente e a equipe interveio antes mesmo de ela pedir o drink”, relatou. Nesses casos, os funcionários separaram o casal e chegaram a acionar a polícia, mas a mulher preferiu deixar o local sem registrar ocorrência. Mesmo sem a necessidade de uso até agora, o protocolo continua ativo. A equipe do bar passa por treinamentos periódicos para saber como agir caso a situação ocorra. “Todo trimestre a gente treina a equipe, porque queremos estar sempre 100% preparados”, afirmou o proprietário.