Juventude se destacou na execução de um repertório variado e que animou o público num domingo de sol (Vanessa Rodrigues/ AT) A Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão, em Santos, foi palco de 20 grupos que se apresentaram ontem, na 8ª edição do Concurso de Bandas e Fanfarras. O dia ensolarado contribuiu para que milhares de pessoas vissem e ouvissem as apresentações. A campeã geral foi a Banda Estudantil da Unidade Municipal de Educação (UME) Padre José de Anchieta, de Cubatão. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O concurso se estendeu da manhã ao início da tarde, com bandas de cidades locais como Santos, Cubatão, São Vicente e Peruíbe, além de municípios da Grande São Paulo, do Interior e do Paraná. Regida pelo maestro Daniel Valeriano, a Banda Marcial de Poá, do Interior do Estado, conseguiu se inscrever neste ano e foi a segunda colocada geral da competição. “Para a gente, a participação está sendo muito divertida, principalmente porque a molecada gosta muito de competir”, disse. Depois, iriam para a praia e veriam o mar. O concurso teve mais de 1,2 mil participantes. Além das apresentações válidas para a competição, houve desfiles especiais do Instituto Reserva Musical, de São Vicente; da Banda Marcial Jovem de Cubatão; da Banda Municipal de Peruíbe; da Banda Família do Bem, de Santos; e da Banda Marcial Municipal de Promissão (SP). Bandas da Baixada Santista, da Grande São Paulo, do Interior paulista e do Paraná se apresentaram (Vanessa Rodrigues/AT) DIVERSIDADE MUSICAL Quem foi à Conselheiro Nébias pôde ouvir diversos gêneros musicais executados pelos grupos — além do dobrado, gênero tradicional brasileiro derivado das marchas militares, as bandas tocaram versões de clássicos da MPB, do rock e do pagode. Convidada para uma das apresentações especiais do concurso, a Banda Municipal de Peruíbe foi símbolo dessa variação de repertório, tocando, além das marchas, canções de artistas populares, como Roberto Carlos, Sidney Magal e a banda Raça Negra. “Com o tempo, a gente percebeu que tinha que trazer o público para perto. Então, começamos a tocar aquilo que o povo gosta”, disse a maestrina Fabiana Fonseca, responsável pela banda. A estratégia se mostrou acertada: espectadores batiam palmas e dançavam no ritmo das músicas. O ponto alto do desfile foi durante a apresentação da canção Cheia de Manias, do grupo Raça Negra — a maestrina assumiu as baquetas, trocando de lugar com o baterista. Emocionada, ela, que teve seus laços com a banda iniciados na infância, valorizou o convite para o desfile especial. “Fico muito honrada. Para nós, estar aqui é uma forma de fortalecer esse trabalho, que é tão importante para esses jovens”, considera Fabiana. AVALIAÇÃO Segundo o maestro Rogério Wanderley Brito, um dos jurados do concurso, a avaliação é feita em duas partes. A primeira considera aspectos da apresentação, como marcha e garbo, alinhamento, cobertura e uniformidade instrumental. A segunda leva em conta o aspecto musical, com base em afinação, ritmo, melodia, harmonia e equilíbrio sonoro. Quanto ao repertório, o maestro disse que ele não interfere no julgamento: “Cada um escolhe o seu repertório, e nós avaliamos o que for apresentado.” Luci, ansiosa pelas apresentações (Vanessa Rodrigues/AT) 10 MIL EXPECTADORES Coordenador técnico do evento, Waldemar de Almeida Filho, o Mazinho, comemorou o sucesso de público. Segundo ele, esta edição conseguiu atrair mais pessoas do que em ocasiões recentes. “Estimamos que haja 10 mil pessoas aqui.” Entre os espectadores, houve quem chegasse logo cedo para garantir um bom lugar para assistir aos desfiles. Foi o caso da cabeleireira Eliane Ximenes, de 45 anos, e de seu namorado, o músico Cid Marcos, de 57. “Não sou músico de fanfarra ou de banda marcial, mas, para mim, esse tipo de evento é formidável”, disse Marcos. Desde o início do relacionamento, há três anos, Eliane o acompanha nos desfiles. “A vida sem música não tem graça, não é?”, emendou. A aposentada Luci dos Passos Goulart, de 63 anos, contou que não perde uma edição do evento. Neste ano, ela veio acompanhada de toda a família. “Espero ansiosamente chegar este dia, porque eu adoro assistir.”