A pesquisa analisou amostras coletadas durante expedições científicas realizadas no litoral paulista (Imagem gerada com IA) A poluição dos oceanos já chegou a áreas consideradas remotas do litoral do Brasil. Um estudo conduzido pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de microplásticos e poluentes orgânicos persistentes em organismos e sedimentos da Bacia de Santos, no litoral de São Paulo, em profundidades que variam entre 400 e 1.500 metros. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os resultados reforçam a preocupação de cientistas com a disseminação de resíduos humanos até mesmo em regiões pouco exploradas do oceano. A pesquisa analisou amostras coletadas durante expedições científicas realizadas no litoral de São Paulo. Os pesquisadores encontraram fibras plásticas em animais marinhos e sedimentos do fundo do mar, além de compostos químicos que podem permanecer no ambiente por décadas e representar riscos à fauna e à saúde humana. Contaminação invisível Segundo os pesquisadores, os materiais chegam ao oceano profundo por diferentes caminhos. Parte da poluição tem origem no descarte inadequado de resíduos em áreas urbanas, que acabam sendo transportados por rios até o mar. Os microplásticos também podem percorrer grandes distâncias sendo carregados pelo vento antes de atingir os ecossistemas marinhos. Além disso, atividades marítimas, como navegação e operações offshore, contribuem para a geração desses resíduos. Os microplásticos encontrados na Bacia de Santos são, em sua maioria, classificados como secundários, ou seja, resultantes da fragmentação de objetos plásticos maiores ao longo do tempo. Espécies afetadas Entre os organismos analisados, os pepinos-do-mar foram os mais impactados. Esses invertebrados vivem em contato direto com os sedimentos do fundo oceânico e se alimentam da matéria orgânica presente neles. Durante esse processo, acabam ingerindo partículas plásticas misturadas ao ambiente. Os cientistas também identificaram poluentes orgânicos persistentes nos tecidos de peixes de profundidade. Alguns desses compostos, utilizados no passado como retardantes de chamas e fluidos isolantes, são proibidos no Brasil há mais de duas décadas, mas continuam presentes na natureza devido à sua lenta degradação. Problema global A descoberta na costa de São Paulo acompanha um cenário observado em diversas partes do mundo. Estudos recentes apontam que substâncias químicas de origem humana estão presentes em praticamente todos os oceanos, inclusive em regiões distantes da costa. Compostos ligados à indústria, aos plásticos, a medicamentos e pesticidas já foram detectados em diferentes profundidades e ecossistemas marinhos. Para os pesquisadores, compreender a dimensão dessa contaminação é fundamental para orientar políticas públicas de monitoramento e redução da poluição. A expectativa é ampliar os estudos para outras espécies e áreas da costa brasileira, buscando entender como esses contaminantes circulam pelos ecossistemas e afetam a cadeia alimentar marinha.