[[legacy_image_250864]] Quem já fez obras em casa sabe os transtornos que causam, em que pesem os benefícios posteriores. E quando a obra nem é na sua casa, mas na sua porta e já dura anos? Pois moradores e comerciantes das imediações da Rua Campos Mello, em Santos, vizinhos da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), resolveram transformar seu lamento em campanha, usando a hashtag #VLTObraSemFim. Estabelecimentos da via trazem faixas com a inscrição. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em nota, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), do Governo Estadual, informa que, de modo geral, o trecho Conselheiro Nébias-Valongo do VLT está 33,5% pronto — um terço do total. Os trabalhos começaram em setembro de 2020. “O prazo para conclusão dos serviços está sendo repactuado em consonância com as expectativas dos envolvidos no processo, contemplando reivindicações de moradores e comerciantes”, afirma a EMTU. Com dois terços da obra por terminar, “é um grito de socorro. (...) Só queremos nossa rua de volta, para a gente trabalhar”, diz o presidente da Associação de Moradores da Campos Melo (Amocam), o comerciante José Resende Andrade Almeida. Ele, que tem uma oficina mecânica na Campos Mello, contabiliza prejuízos de R\$ 120 mil. Outro comerciante, Hélio Alves dos Santos, também fala em “um impacto grande. Junto às companhias de seguro, uma perda de 80% de faturamento, fácil. (...) Os moradores também estão sofrendo. Não há a preocupação com acessibilidade neste trecho.” Na porta de casa Outro foco de obras do VLT está na Rua Luís de Camões, próximo à Praça Padre Champagnat. Os vizinhos pedem um cronograma factível. Em nota, a EMTU afirma que os trabalhos na Luiz de Camões abrangem canaletas de drenagem e baias de estacionamento, com término previsto no dia 31. “A poeira que entra nessa casa é uma coisa horrível. O problema é que está demorando demais. Está um inferno”, resume a aposentada Shirley Ferreira Coutinho, de 87 anos, que há 60 mora em um sobrado na região. Os vizinhos Vitor Caio de Almeida e Roberto Silveira, de um condomínio próximo às obras, dizem entender o benefício que o VLT trará a comerciantes e moradores. Mas esperam pelo término do serviço. “Você tinha uma estrutura de esgoto dos anos 1960. Agora, tem tecnologias mais avançadas. Esse é o lado bom: a estrutura. Incomoda (a obra), mas temos que ver também a geração de empregos. O problema é que deveria ter uma coordenação, um cronograma, e segui-lo. Se isso houvesse, haveria maior aceitação da população”, diz Almeida. Silveira vai na mesma linha. “O ideal era que os responsáveis pela obra conversassem e se acertassem sobre o que tem que fazer primeiro, para não ficar indo e voltando em diversos trechos da obra.”