Mirele atua na Casa de Abrigo desde 2010 (Carlos Nogueira/PMS) A história de Mirele Santana de Macedo começa todos os dias no mesmo lugar: ajudando mulheres que chegam assustadas, muitas vezes fugindo da violência dentro da própria casa. Assistente social da Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos, ela trabalha há mais de uma década acolhendo vítimas que correm risco de morte. Agora, essa experiência que nasceu no cotidiano da cidade vai ganhar o mundo. Mirele foi escolhida para representar Santos na 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da Organização das Nações Unidas, a ONU. O encontro acontece entre 9 e 19 de março, na sede da entidade, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, reunindo especialistas, representantes de governos e organizações de vários países. O evento é considerado um dos principais espaços internacionais de discussão sobre igualdade entre homens e mulheres e sobre formas de combater a violência contra a mulher. É ali que muitas ideias e políticas públicas começam a ser desenhadas e compartilhadas entre países. Processo A participação da assistente social não aconteceu por acaso. Mirele passou por um processo nacional de seleção e foi escolhida com base na experiência profissional, na formação e no trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Segundo ela, a escolha também mostra que o trabalho feito em Santos vem sendo observado fora do Brasil. A assistente social lembra que a cidade é considerada referência quando o assunto é proteção às mulheres em situação de violência grave. “Santos é reconhecida como uma das cidades pioneiras no Brasil em políticas públicas de acolhimento e assistência às mulheres vítimas de violência em ritmo iminente de morte”, afirma. Experiência Grande parte dessa experiência vem da atuação direta no atendimento às vítimas. Mirele trabalha desde 2010 na Casa de Abrigo de Santos, um espaço criado para proteger mulheres ameaçadas de morte e também seus filhos. O local, inaugurado em 2000, funciona em endereço sigiloso para garantir a segurança das famílias atendidas. Ali, mulheres encontram abrigo, apoio e tempo para reconstruir a própria vida longe do agressor. Para Mirele, a violência contra a mulher é um problema que atravessa fronteiras. Por isso, participar do encontro da ONU será uma oportunidade importante para trocar experiências com profissionais de outros países e conhecer novas formas de enfrentamento dessa realidade. A secretária de Desenvolvimento Social de Santos, Renata Bravo, afirma que a escolha da servidora é motivo de orgulho para o Município. Segundo ela, a presença de Mirele no encontro internacional também abre espaço para que Santos compartilhe suas experiências e fortaleça o compromisso com políticas públicas voltadas à proteção, autonomia e garantia de direitos das mulheres.