Quem caminha pela orla de Santos, no litoral de São Paulo, dificilmente passa despercebido por uma das árvores mais características da paisagem da cidade. Com copa larga, galhos distribuídos em camadas e uma sombra generosa, o chapéu-de-sol (Terminalia catappa) se tornou um dos grandes símbolos do maior jardim de praia do mundo, reconhecido pelo Guinness World Records. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar de fazer parte do cotidiano dos santistas há décadas, a espécie está longe de ser nativa da Baixada Santista. A árvore tem origem em regiões tropicais da Ásia, Oceania e parte da África, sendo encontrada naturalmente em países como Índia, Madagascar, Filipinas e Austrália. Ao longo dos séculos, acabou se espalhando por diversas regiões tropicais do planeta, inclusive pelo litoral brasileiro. Uma das hipóteses mais aceitas por especialistas é que o chapéu-de-sol tenha chegado ao Brasil durante o período colonial. Frutos e sementes teriam sido transportados involuntariamente em navios portugueses, misturados à areia utilizada como lastro das embarcações, encontrando nas áreas costeiras um ambiente ideal para germinar. Uma árvore perfeita para o litoral O sucesso da espécie em Santos não aconteceu por acaso. Além da beleza ornamental, o chapéu-de-sol apresenta características que favorecem sua utilização em cidades litorâneas. A árvore suporta bem a maresia, os ventos constantes, as altas temperaturas e períodos de estiagem, exigindo relativamente pouca manutenção. Sua copa ampla proporciona sombra abundante ao longo do calçadão, tornando mais agradável a caminhada de moradores, turistas, corredores, ciclistas e frequentadores das praias, especialmente durante os dias mais quentes do verão. Outro detalhe chama a atenção ao longo do ano: suas folhas mudam de cor antes de cair, passando do verde para tons avermelhados, alaranjados e amarelados, criando um cenário diferente na paisagem santista. Mais do que sombra Além do conforto térmico, o chapéu-de-sol desempenha funções ambientais importantes. A árvore ajuda a reduzir a temperatura das áreas urbanas, melhora a qualidade do ar por meio da absorção de dióxido de carbono e produção de oxigênio e ainda serve de abrigo para diversas espécies de aves, como bem-te-vis, sanhaços e sabiás. Seus frutos também chamam a atenção. Embora pouco consumidos no Brasil, eles são comestíveis e utilizados em alguns países para alimentação e produção de óleos. Já as folhas possuem grande concentração de taninos, substâncias que fazem com que sejam utilizadas até mesmo no aquarismo, por apresentarem propriedades antifúngicas e antibacterianas. Nem tudo são vantagens Apesar da importância paisagística, o chapéu-de-sol também apresenta alguns desafios. Por ser uma espécie exótica, especialistas alertam que ela pode competir com a vegetação nativa, especialmente em áreas de restinga. Além disso, suas raízes podem causar danos em calçadas e tubulações quando plantada em locais inadequados. Outro ponto de atenção é a queda de folhas e frutos. Durante determinadas épocas do ano, as folhas secas se acumulam nas calçadas, podendo provocar escorregões e contribuir para o entupimento de galerias pluviais. Marca registrada da orla santista Mesmo sem ter nascido em solo brasileiro, o chapéu-de-sol acabou conquistando espaço na identidade visual de Santos. Ao longo dos 5.335 metros do maior jardim de praia do mundo, a árvore faz parte da paisagem que acompanha sete praias da cidade e mais de 200 espécies vegetais. Sua sombra generosa, resistência ao clima litorâneo e beleza transformaram a espécie em uma das imagens mais conhecidas da orla santista. Hoje, para muitos moradores e turistas, descansar sob um chapéu-de-sol já faz parte da experiência de visitar Santos — uma tradição que une natureza, história e qualidade de vida em um dos principais cartões-postais do litoral paulista.