[[legacy_image_244463]] A foto que encabeça esta matéria deve ser a nova paisagem da fachada de um dos mais antigos e emblemáticas imóveis da orla santista: o complexo arquitetônico do Instituto Dona Escolástica Rosa, no Bairro Aparecida, em Santos, que durante décadas abrigou a escola de mesmo nome, mas há quatro anos permanece fechado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A foto fez parte da apresentação feita neste domingo (5) pelo arquiteto e restaurador Gustavo Nunes, da empresa To Fix, ao secretário de Estado do Turismo, Roberto de Lucena, à imprensa e outras autoridades presentes no pátio da própria escola. A To Fix foi contratada pelo Núcleo de Pesquisa e Estudo (Nupec), locatária desde novembro de 2021 do imóvel pertencente à Santa Casa de Misericórdia de Santos. Pelo contrato feito com a irmandade, cabe à Nupec conduzir, estruturar e desenvolver a recuperação do imóvel, prospectar recursos para essa finalidade e fazer a manutenção de todo o complexo após a conclusão das obras. Em contrapartida, poderá implantar e explorar atividades culturais, artísticas, educacionais e comerciais, mediante pagamento de parte das receitas à Santa Casa. O contrato teve início em novembro de 2021 e é válido por 15 anos, renováveis por outros 15. [[legacy_image_244464]] O projeto O projeto de restauração e resgate do patrimônio histórico e arquitetônico da antiga escola era aguardado pela comunidade santista desde que a Secretaria de Estado da Educação devolveu o prédio à irmandade, em agosto de 2019. Depois de décadas servindo para formar gerações de jovens nos ensinos Médio e Técnico, o estado de conservação era precário, com estruturas de alvenaria comprometidas, rede elétrica e hidráulica em risco e deterioração dos aspectos históricos e arquitetônicos. No complexo há três imóveis tombados (prédio principal da frente, antiga casa do diretor e Capela de João Bosco) e cinco outros com níveis de proteção que exigem conservação da fachada e telhado. São 17 mil metros quadrados de área, dos quais 12 mil de área construída. Pelo projeto, no térreo funcionarão um bulevar de convivência, escola de educação ambiental, escola de artes, escola de música, salas administrativas e outros espaços de apoio. No primeiro andar do prédio principal, a ideia é montar uma praça de alimentação ao ar livre, dois auditórios, hall de serviços, museu de arqueologia, museu interativo, museu de paleontologia e pequenas lojas de produtos e serviços voltados ao turismo. Haverá ainda um ou dois elevadores. No complexo, também está prevista a criação de espaços para feiras, exposições e eventos, que podem trazer receita para a manutenção de todo o complexo. Manoel Gonzalez, sócio-proprietário da Nupec, acredita no potencial do projeto e na capacidade de atrair o interesse do empresariado e do público. “É um lugar privilegiado, de frente para o mar. Pode representar um atrativo a mais para a Cidade”, diz. Arqueólogo por formação, Gonzalez diz que a Cidade dispõe de acervo histórico suficiente para justificar a criação de museus de paleontologia e arqueologia. “Tenho mais de 200 mil peças arqueológicas no Nupec. Pretendo trazer tudo para cá assim que possível”. Segundo disse, são peças encontradas em escavações e prospecções em monumentos e espaços históricos como Teatro Guarany, Casa do Trem Bélico, Engenho dos Erasmos, entre outros. [[legacy_image_244465]] Apoio Roberto de Lucena acenou com a possibilidade de envolver o Estado no projeto, com apoio das secretarias de Cultura e de Educação. Ele acredita, também, que o projeto possa se beneficiar das renúncias fiscais previstas nas leis de incentivo, como ProAC e Lei Rouanet. Lucena foi ao evento com toda sua estrutura e acompanhado do deputado estadual Paulo Correa Jr (PSD), que disse ter a intenção de levar o projeto do Escolástica Rosa para a Frente Parlamentar de Incentivo ao Turismo. “Vamos ajudar a tirar tudo isso do papel”, disse. 115 anos O prédio do antigo Instituto Dona Escolástica Rosa completou 115 anos em 8 de janeiro. Foi pensado e financiado pelo santista João Octávio dos Santos, nascido em 8 de março de 1830, filho de um caso fortuito de um importante membro da tradicional família Nébias e a escrava Escolástica Rosa. Sem herdeiros, deixou todo seu patrimônio para a Santa Casa, que deveria manter ali uma escola para jovens carentes. O projeto foi do renomado arquiteto Ramos de Azevedo. João Octávio morreu em 1900, antes de ver a obra concluída. Empresário quer captar recursos em várias fontes Manoel Gonzalez ainda não tem todo o recurso para os estimados cinco anos de obras, tempo que deve durar a restauração de todo o complexo. Ele estima que o valor total possa chegar a R\$ 50 milhões, e diz que vai lançar mão de diversas iniciativas: leis de incentivo, verbas parlamentares, parceria com Estado e Município, setor empresarial que queira investir, além de uma parte de recursos do próprio Nupec, empresa que dirige. Desde que assumiu o complexo, em novembro de 2021, diz já ter investido R\$ 1,5 milhão em projeto e burocracias para as aprovações. O projeto já está aprovado pela Prefeitura de Santos, com sinal verde do Condepasa e do Condephaat, os órgãos responsáveis pelo tombamento em níveis municipal e estadual, respectivamente. Para Gustavo Nunes, da To Fix, a parte de maior desafio do projeto será o piso, com material já difícil de encontrar. O rigor do tombamento exige uso de materiais originais, e boa parte do piso já está bastante deteriorada.