Fernanda Martinho, de 45 anos, lida com várias ocorrências de trombose e um quadro de lipedema (Arquivo Pessoal) Fernanda Martinho, de 45 anos, lida com várias ocorrências de trombose e um quadro de lipedema, diagnosticado anos depois. Ela vive a rotina de equilibrar os dois tipos de tratamentos, que são opostos, com a manutenção da autoestima e o dia a dia. Atualmente, a publicitária usa a internet para estimular outras mulheres a gostarem mais delas próprias e compartilha sua história de vida. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ela foi surpreendida pela primeira vez, em 2005 com o diagnóstico de trombose, quando tinha 25 anos. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica de Santos (UniSantos) e já trabalhando na área, enfrentou seu primeiro susto. A suspeita inicial foi de que o quadro estivesse relacionado ao uso de anticoncepcionais. “Tinha ovários policísticos, então usava para o tratamento. Depois que a trombose foi descoberta, tive que suspendê-los”, conta. Diagnóstico errado Antes mesmo do diagnóstico definitivo, Fernanda enfrentou um episódio que confundiu até os médicos. “Quando comecei a sentir dores, fui ao pronto-socorro e o médico suspeitou de distensão nos tendões. Iniciei fisioterapia e procurei um ortopedista, porque eu era superativa: fazia musculação, jogava vôlei, nadava. A hipótese fazia sentido. Ninguém pensava em trombose, porque todo mundo associa a obesidade, e eu não era obesa”, lembra. A trombose forma coágulos que impedem ou dificultam a circulação do sangue, principalmente nas veias das pernas, e pode ser fatal se causar uma embolia pulmonar. Desde o primeiro episódio, Fernanda passou por novas ocorrências, algumas internações e, posteriormente, descobriu que tinha trombofilia — uma predisposição genética para formar trombos com mais facilidade. O básico para o tratamento da doença é justamente o repouso. Com isso, vieram também o ganho de peso e os impactos na autoestima. “Mesmo quando emagrecia, olhava pro espelho e me achava gorda, principalmente no quadril”, relembra. Durante a pandemia, chegou a pesar 155 kg. Hoje, segue um protocolo de emagrecimento saudável e disciplinado. Em cerca de seis meses já eliminou 17 kg. Fernanda chegou a pesar 155 quilos (Arquivo Pessoal) Lipedema Em 2022, uma nova peça se encaixou no quebra-cabeça: o diagnóstico de lipedema, uma doença crônica que atinge majoritariamente mulheres e provoca o acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e quadris, gerando dor e inchaço. Estima-se que cerca de 9 milhões de brasileiras convivam com a condição. “Sempre associavam o inchaço das pernas à trombose”, lembra Fernanda, que hoje é acompanhada por uma equipe multidisciplinar formada por cirurgião vascular, endocrinologista e hematologista. Entre os desafios, surgiu um impasse difícil de equilibrar: o tratamento das duas doenças exigia condutas opostas. “Na trombose, o indicado é repouso, nada de atividade física. Já para o lipedema, o exercício ajuda muito. Tive que contornar a situação, achar um equilíbrio entre os dois tratamentos para conseguir evoluir”, explica. Ela também destaca a importância de estar atenta aos sinais do corpo. “Muita gente faz dieta, malha bastante e mesmo assim não consegue reduzir medidas, especialmente em regiões como pernas e quadris. Às vezes, isso tem a ver com o lipedema e a pessoa nem desconfia”, alerta. “É muito importante procurar ajuda profissional para entender se é um caso de lipedema ou se é um momento que a pessoa está passando, ou o que que causa aquela gordura localizada”, completa. Pelo segundo ano seguido, ela desfilou como destaque no Carnaval (Arquivo Pessoal) Paixão libertadora Uma paixão? Carnaval. Pelo segundo ano seguido, ela desfilou como destaque do Grêmio Recreativo Escola de Samba União Imperial, do Grupo Especial de Bairros de São Paulo. “A diferença é que, no ano passado, usei uma fantasia que escondia mais o corpo. E, em 2025, fui de barriga de fora e shorts. Era uma piriguete plus size. Foi libertador”, celebra. Com mais de 22 mil seguidores no Instagram, Fernanda usa suas redes para conscientizar sobre o lipedema e motivar outras mulheres. "A internet faz as pessoas muito cruéis às vezes. A gente posta uma foto na qual se acha linda, maravilhosa e alguém vem e posta 'você não se toca que você é gorda?'. Se a autoestima não estiver em dia, isso machuca muito. Se estiver, como no meu caso, podem falar o que quiserem", diz. "Espero que as pessoas melhorem a sua autoestima e possam ser muito mais felizes independente dos problemas que possam ter", finaliza.