[[legacy_image_268420]] Vítima de abandono e maus-tratos, a história de resistência do gatinho Eliseu se tornou um símbolo de esperança nas redes sociais. O animal foi resgatado sem andar e em estado de desnutrição no último mês de abril por uma equipe da ONG Viva Bicho de Santos, que fica na Rua João Guerra, no Macuco. (Veja em vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A diretora de bem-estar animal da ONG, Leila Abreu, esteve presente no resgate e contou que estava almoçando em outra cidade, quando recebeu um pedido de socorro por meio das redes sociais. “Nunca tinha visto um animal naquele estado. Imediatamente, a pessoa que me procurou deixou dois telefones para entrar em contato, mas ninguém respondeu. Nós procuramos uma rede de proteção animal perguntando se alguém a conhecia. Logo depois, ela entrou em contato comigo porque deixei um recado”, conta. A denunciante afirmou que o animal tinha dono. A história narrada por ela é de que a esposa desse tutor tinha morrido e que ele e negou a cuidar do gato. Entretanto, Leila acredita que algumas partes dessa versão não batem. “Ela me disse que levou o animal para o atendimento. Porém, nesse local sugeriram a eutanásia. Após isso, ela levou o animal para casa. Perguntamos de onde surgiu esse animal e a denunciante respondeu que o alimentava no telhado. No entanto, no estado em que ele estava, era impossível estar no telhado. Ele não anda até hoje”, explica. Por conta da desnutrição, Eliseu não tem massa muscular. “Então, a gente acha que, com com boa intenção, o gato ficou preso em casa para cuidar dele. Viu que a situação se agravou e pediu socorro”. O resgate aconteceu no bairro da Areia Branca e, desde então, Eliseu está internado no Hospital Viva Bicho. O gato passa por um processo de nutrição e fortalecimento dos músculos. Sua história se tornou símbolo de força e vontade de viver. “Nós realmente não acreditávamos que ele fosse sobreviver”. “Nós achávamos que ele poderia, pelo menos, ter uma morte digna. Ele não tem músculo. É osso e pele por cima. Chegou com 2,6 quilos, com a temperatura baixíssima e tinha uma infecção intestinal. Ele não conseguia manter a temperatura do corpo e não conseguia manter a glicemia. Então, a todo momento entrava em choque”, relembra. A especialista acredita que Eliseu tenha por volta de 13 anos. Atualmente, o gato já engordou 600 gramas e começou a desenvolver musculatura nas patas da frente, mas nas de trás ainda não foram formadas. Após ter sido diagnosticado com uma anemia profunda, o gato precisou de uma transfusão de sangue, a qual Leila afirma que fez com que Eliseu tivesse duas paradas cardíacas. A garra de lutar pela vida tornou o caso um sucesso nas redes sociais da ONG. “O que eu sinto é que as pessoas estão precisando muito de esperança. Nós começamos a receber cartas que nos impressionaram muito de pessoas em depressão profunda, de doentes em estágio terminal e que, com a história do Eliseu, falaram que tem esperança de serem curadas e começaram a lutar contra a doença, pois já tinham se entregado”, comenta. Leila reforça que também recebeu mensagens de pessoas que trabalham segurança pública e já tinham entrado no estado de descrença da humanidade, mas disseram que o Eliseu fez com que elas acreditassem novamente que existem pessoas boas no mundo “Então a gente começou a achar que Eliseu ficou vivo para trazer esperança para as pessoas. Essa energia canalizada, tenho certeza absoluta, que impulsionou a saúde dele. A gente sentia que todo ser humano que se aproximou dele foi para machucá-lo, abandoná-lo ou judiá-lo. Por isso escolhemos uma pessoa entre nós para criar um vínculo afetivo com ele. Ou seja, ela só se aproximaria sempre com o mesmo tom de voz para levar pra ele coisas positivas, carinho, atenção e movimentos leves”, conclui.