[[legacy_image_42753]] Depois de mais de oito meses afastado, o padre Cláudio Scherer, de 50 anos, enfim realizou a sua primeira missa, no Dia das Mães, na Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos. A transmissão aconteceu pelas redes sociais. A celebração tem um sentido especial, já que marca a recuperação do padre após mais de três meses internado com covid-19 e, na sequência, ter sofrido um infarto. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Pensei muito sobre o motivo desse retorno ser em um cemitério e não em uma igreja. Veio uma inspiração que acredito ser de Nossa Senhora, que a gente precisa ser muito solidário com quem está sofrendo, principalmente com as mães, os filhos, todos perdendo familiares. E nada melhor do que recomeçar num campo de paz, de harmonia e de tranquilidade como aqui”. Até a retomada, ontem, a comunidade católica se uniu em oração pela recuperação de um dos padres mais queridos da região e a corrente logo ultrapassou crenças e religiões. Depois de uma vida dedicada a cuidar de outras pessoas, padre Cláudio precisou ser cuidado. Ele acredita que exista uma missão pela frente. “Por que Deus me deu um tempo? Meu irmão não ficou tão ruim e morreu, e eu fiquei aqui. Sempre será por um plano de serviço para os outros, para a humanidade”, diz o padre, que atuou por mais de 20 anos na Paróquia Imaculado Coração de Maria. Ele, que também é pró-reitor de Pastoral da Universidade Católica de Santos (UniSantos), diz que é preciso falar sobre uma pauta que está esquecida: a da pobreza. “Uma sociedade só se constrói dentro dessa igualdade, com todos vivendo com o mínimo, com ao menos dignidade”. [[legacy_image_42754]] Missa Em sua missa, padre Cláudio falou sobre a importância do amor. “Ele está desgastado e vemos isso todos os dias. Amar é dar a vida, esse é o amor perfeito. Jesus fala do amor de cuidado, que é algo muito atual. Muitos falam que amam, mas da boca para fora, sem demonstrar em atitudes”. Formado em Jornalismo e Psicologia, ele ainda falou em individualismo, egoísmo e narcisismo, tão presentes na sociedade hoje. “O amor tem de doer, pois mexe com nosso egoísmo e nossas vontades. Não é fácil morrer para nossos desejos e projetos pelo outro, mas esse é o amor puro”. Em tempos de coronavírus, ele ainda rezou pelas vítimas da doença e suas famílias, dizendo que a natureza pede humildade por parte das pessoas. “Temos de olhar para o lado e praticar o amor”.