[[legacy_image_275752]] Apesar da aparente intensificação dos trabalhos, o ritmo das obras da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) continua lento em Santos. A porcentagem total dos serviços no percurso, que ligará a Linha 1 (Barreiros-Porto) ao Terminal Valongo, é de 37,2%. As informações são do Governo do Estado, por meio da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No início de janeiro, também conforme a EMTU e noticiado por A Tribuna, os trabalhos estavam 32% executados. Quatro meses depois, no início de maio, eram 35% — avanço de três pontos percentuais. Agora, no mês seguinte, houve incremento de 2,2 pontos em relação ao anterior. Ainda restam, porém, 62,8% das obras da segunda fase, que tem oito quilômetros de extensão, com 12 estações. CríticasUm exemplo está na Rua Campos Mello, que passa pelos bairros Macuco e Vila Mathias. O local foi o mais prejudicado, teve trechos refeitos, e há ceticismo de moradores e comerciantes sobre o cumprimento do mais recente prazo — julho deste ano —, estabelecido para a entrega das intervenções. A EMTU mantém a previsão. Ao passar pela Campos Mello, é possível notar, quase que a cada quadra, estágios diferentes da mesma obra, sem exatamente uma sequência. Para ficar nos extremos, trilhos já estão colocados e todo o concreto feito em alguns trechos, enquanto em outros apenas o espaço de passagem do VLT está delimitado. Em nota, a EMTU informou que as intervenções do Veículo Leve sobre Trilhos na rua continuam com a execução de serviços de engenharia civil da via permanente por onde o meio de transporte vai passar, como ferragens, concretagem e trilhos. Outro local bastante criticado, em especial pelos comerciantes, é na Rua Amador Bueno, no Centro. Também de acordo com a EMTU, estão sendo realizados remanejamento de redes de drenagem e esgoto, banco de dutos, passeio e pavimentação. Novos locaisO Centro, a propósito, abrigará novos canteiros de intervenções relativos à futura passagem do VLT a partir da próxima segunda-feira. A empresa informou que as obras começarão nos seguintes trechos: Avenida Visconde de São Leopoldo, entre a Praça dos Andradas e a Rua São Bento; Rua Visconde de Embaré, entre Rua São Bento e Praça dos Andradas; e a Estação José Bonifácio, a ser instalada entre a Avenida Senador Feijó e a Rua Braz Cubas. IncredulidadeQuando se diz que as obras do VLT na Rua Campos Mello acabarão em julho e se pergunta a ele se crê na previsão, o aposentado Valdenir de Moraes, de 76 anos, solta uma longa e sonora gargalhada. E apontou para um veículo estacionado do outro lado da via. “Meu carro está lá parado há uns dois meses. Se eu sair, perco a vaga”, diz, apontando para o veículo estacionado em uma das baias criadas com a redução da pista. “Não acredito (que a obra terminará em julho). É uma dificuldade muito grande para carga e descarga. Ainda dei sorte porque a estação (para embarque e desembarque de passageiros) fica um pouquinho mais para a frente”, comentou João Bosco, proprietário de uma loja de persianas há mais de quatro décadas. MovimentoO estabelecimento fica na mesma calçada da Estação Xavier Pinheiro, construída junto à esquina das ruas Campos Mello e Xavier Pinheiro. Um antiquário e outro imóvel comercial ao lado — fechado e com moradia em cima — foram desapropriados porque o local de embarque e desembarque atrapalharia a atividade comercial. Prédios contíguos devem ter recuo pelo mesmo motivo. Os dois imóveis citados pertencem ao mesmo dono, que espera posição de um perito judicial sobre o valor oferecido. A importância inicial estava muito abaixo do que ele pretendia. Dono de uma retífica na mesma quadra, Afonso Matias também não crê no cumprimento do prazo para o final das obras em razão do histórico de atrasos. Ele também se preocupa com a ida dos clientes ao estabelecimento por causa da presença da estação. “Houve a redução da pista e a perda de vagas de estacionamento. Tem que ver se vão ser permitidas carga e descarga sem multa. Para alguém parar um carro aqui fica impossível, a não ser em cima da calçada. Tem que dar todo tipo de sinal. Eu mesmo tive problema. Dei sinal, mas a viela (que fica ao lado) engana, assim como a rua que vem logo depois (Xavier Pinheiro). Acabaram me xingando”, contou.