Com apenas 8 anos, Áurea Bravo Munhos, de Santos, no litoral de São Paulo, precisou enfrentar uma batalha que transformou a vida de toda a família. Diagnosticada com um câncer raro, o PEComa, a menina passou por tratamentos, viu a doença retornar de forma mais agressiva e precisou amputar o braço direito para aumentar suas chances de cura. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Agora, em remissão e ainda sob acompanhamento médico, Áurea tem um novo sonho: conseguir uma prótese que lhe dê mais autonomia para realizar atividades do cotidiano, brincar e aproveitar a infância. Para tentar torná-lo realidade, a família iniciou uma vaquinha on-line. Uma menina doce, carinhosa e dona de um sorriso que conquista quem está por perto. É assim que a irmã, Giovana Bravo Munhos Santana Martes, de 22 anos, descreve Áurea. Segundo Giovana, que trabalha como media analyst, a notícia que mudou a rotina da família chegou em 2025, quando a menina foi diagnosticada com PEComa. Após meses de tratamento, veio o alívio: a família recebeu a notícia de que Áurea estava livre da doença. A tranquilidade, porém, durou pouco. Meses depois, o câncer retornou de maneira ainda mais agressiva. Diante do novo quadro, a família precisou encarar uma das decisões mais difíceis desde o início do tratamento: a amputação do braço direito da menina. “Para salvar a vida da Áurea, foi necessária a amputação do braço direito. Foi uma decisão muito dolorosa para toda a nossa família, mas era a única chance de continuar com ela ao nosso lado”, conta Giovana. A reação da própria Áurea ao saber do que aconteceria marcou a família. “Quando contamos para ela, sua resposta foi: ‘Tudo bem, se isso acontecer é para eu ficar viva e bem!’”, relembra a irmã. Infância, escola e um novo sonho Mesmo depois de tudo o que enfrentou, Áurea segue com a rotina de uma criança de sua idade. Continua sorrindo, brincando e frequentando a escola. Para Giovana, a irmã demonstra diariamente uma capacidade de adaptação e uma força que impressionam toda a família. Agora, uma prótese para o braço direito tornou-se o principal objetivo. O equipamento poderia ajudá-la a ganhar independência para executar tarefas simples, brincar com mais liberdade e realizar atividades cotidianas. O custo, entretanto, está além das possibilidades financeiras da família. Por isso, os parentes decidiram criar uma vaquinha on-line e compartilhar a história da menina em busca de ajuda. “Infelizmente, o valor de uma prótese é muito alto e está muito além do que nossa família consegue arcar neste momento. Por isso, criamos uma vaquinha e estamos compartilhando a história da Áurea, na esperança de encontrar pessoas que possam nos ajudar a transformar esse sonho em realidade”, afirma Giovana. A família ressalta que as contribuições podem ser de qualquer valor e que a mobilização também pode ser ajudada pelo compartilhamento da campanha. Tratamento continua Áurea está atualmente em remissão, mas o acompanhamento contra o câncer continua. Segundo a irmã, a menina faz quimioterapia oral em casa e passa periodicamente por exames de sangue e de imagem para monitorar seu estado de saúde. Uma vez por semana, ela também precisa ir ao GRAACC, em São Paulo, para a troca do curativo do cateter PICC utilizado durante o tratamento. A família recebeu recentemente mais uma notícia positiva. Segundo Giovana, o primeiro laudo mostrou que os nove linfonodos analisados estavam livres da doença. Eles ainda aguardam o resultado da análise do restante do material retirado durante a amputação. O caso de Áurea também poderá contribuir para o conhecimento científico sobre esse tipo raro de tumor. A família autorizou que o laboratório de genética do GRAACC utilize material relacionado ao caso em pesquisas e estudos sobre o PEComa. “Assinamos um termo de consentimento autorizando o laboratório de genética do GRAACC a realizar pesquisas e estudos sobre o tumor. A Áurea foi a primeira paciente do GRAACC diagnosticada com PEComa”, afirma Giovana.