Antigo prédio da Ciretran, em Santos, convive com o abandono

Há mais de três anos Casarão serve de moradia para moradores de rua e usuários de droga

Por: Matheus Müller & Da Redação &  -  06/12/18  -  09:38
Antigo prédio da Ciretran na Conselheiro Nébias, em Santos, serve de casa para moradores de rua
Antigo prédio da Ciretran na Conselheiro Nébias, em Santos, serve de casa para moradores de rua   Foto: Alexsander Ferraz/AT

O imóvel onde antes funcionava a 16ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), na Avenida Conselheiro Nébias, 584, no Boqueirão, em Santos, há mais de três anos serve de casa para moradores de rua e usuários de drogas. A propriedade tombada pertence ao Governo do Estado e, segundo a Prefeitura, não oferece risco estrutural.


A Reportagem constatou que existe um recuo entre a casa e o muro que cerca o terreno. No entanto, nesse espaço há muito lixo que permite o acúmulo de água, ambiente propício para a proliferação do mosquito da dengue.


“Há comida, sujeira, árvores caindo e isopores cheios de água parada. Se eu fico devendo impostos à Prefeitura sou multado, vou parar na Justiça. Aqui, ninguém faz nada”, diz o aposentado Claudio Mario Federico, de 74 anos.


O imóvel está em evidente estado de deterioração. “O telhado está cheio de buracos e a casa, com infiltrações. Dentro tem muitos daqueles caramujos (africanos – que podem transmitir doenças)”, conta João Carlos de Souza, vizinho de muro do casarão. “Isso é um patrimônio histórico. A obrigação dos governos é preservá-lo”.


Comerciante reclama


Kleber Toledo Costa, de 28 anos, trabalha há 6 no carrinho de pastel da família, na esquina da Rua Alexandre Herculano com a Avenida Conselheiro Nébias, em frente à antiga sede da Ciretran. Ele revela que os moradores de rua são os mesmos desde que o órgão encerrou as atividades no local.


“Mora um casal e outro amigo deles. São usuários de drogas. Já vi entrarem com bicicleta roubada, serem procurados e apanharem. Eles brigam, se xingam e já quase botaram fogo no local.”


A presença dos ocupantes prejudica o trabalho do comerciante. “Me atrapalha muito. O cheiro de urina é insuportável. Agora, por exemplo, eu troco o óleo (usado para fritar salgados) por desinfetante e cloro. Jogo tudo na parede e na calçada”.


Imóvel está abandonado há mais de três anos
Imóvel está abandonado há mais de três anos   Foto: Alexsander Ferraz/AT

Respostas


Em nota, a Prefeitura de Santos diz que o imóvel não oferece risco. O executivo destaca que equipes promovem ações naquela região para encaminhar pessoas em situação de rua ao atendimento, desde que aceitem de forma voluntária.


O órgão ressaltou que a construção de barreiras físicas para evitar ocupações é de responsabilidade do Estado.


O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) garante que acionará as autoridades policiais para investigar a “invasão” e solicitará apoio da Prefeitura para desocupar e coibir outras ocupações.


“O orgão assegura a manutenção periódica do imóvel, que está lacrado com cimento e alambrado, evitando a ocupação interna”. E garante que será providenciada limpeza.


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