André Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) (Andressa Anholete/ STF) Natural de Santos, no litoral de São Paulo, o ministro André Luiz de Almeida Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma das investigações mais delicadas atualmente em andamento na Corte. Relator do caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Mendonça tomou decisões que levaram à prisão do empresário e, mais recentemente, determinaram o levantamento do sigilo de materiais da investigação que envolvem também o ministro Alexandre de Moraes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mendonça nasceu em Santos em 27 de dezembro de 1972. Formado em Direito, construiu a maior parte da carreira na Advocacia-Geral da União (AGU), onde ingressou como advogado da União. Posteriormente, ocupou o cargo de advogado-geral da União e foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do então presidente Jair Bolsonaro. Em julho de 2021, Bolsonaro indicou Mendonça para uma vaga no STF, aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. A indicação foi aprovada pelo Senado e ele tomou posse em 16 de dezembro daquele ano. Desde então, Mendonça passou a integrar a Segunda Turma do Supremo, colegiado do qual também faz parte Alexandre de Moraes. Em 2026, o ministro santista assumiu a relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master. A atuação de Mendonça no caso Vorcaro Como relator, Mendonça passou a ser responsável por decisões judiciais relacionadas às investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master. Em março de 2026, o ministro atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) e determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de outros investigados. A decisão também estabeleceu outras medidas cautelares relacionadas às empresas investigadas. Segundo o STF, a investigação apura suspeitas de fraudes relacionadas às operações do Banco Master. Posteriormente, a Segunda Turma da Corte formou maioria para manter as prisões determinadas pelo relator. A investigação avançou e materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro passaram a apresentar conversas e registros de contatos do empresário com diferentes autoridades e pessoas ligadas ao mundo político e jurídico. Entre os nomes que aparecem nesse material está o de Alexandre de Moraes. O que Alexandre de Moraes tem a ver com o caso A partir da análise do conteúdo encontrado no celular de Vorcaro, a Polícia Federal identificou mensagens e informações relacionadas à relação do ex-banqueiro com Alexandre de Moraes. Uma das linhas de investigação envolve mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído ao ministro. Em uma delas, segundo informações divulgadas pela imprensa a partir do material da investigação, o empresário teria mencionado a necessidade de obter uma espécie de proteção junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Mendonça determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) prestasse esclarecimentos sobre o conteúdo e o contexto das mensagens. A apuração busca esclarecer, entre outros pontos, se Vorcaro tentou utilizar sua relação com Moraes para obter algum tipo de interferência em investigações conduzidas pela PGR ou pela Polícia Federal. Também foram identificadas mensagens que indicam contatos entre Vorcaro e Moraes, além de informações sobre relações comerciais entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. O material, entretanto, é parte de uma investigação. A existência das mensagens ou de contatos entre as pessoas citadas não significa, por si só, que Alexandre de Moraes tenha cometido qualquer crime ou irregularidade. Mendonça retirou sigilo A controvérsia aumentou quando Mendonça determinou o levantamento do sigilo de parte do material produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. A medida tornou públicas informações sobre os contatos do ex-banqueiro com Moraes e colocou o próprio ministro do STF no foco de uma investigação conduzida por outro integrante da Corte. Entre os elementos divulgados estão mensagens que ajudam a reconstruir a relação de Vorcaro com diferentes autoridades. Segundo informações divulgadas sobre o material, o ex-ministro Fábio Faria teria sido responsável por aproximar Vorcaro e Moraes no fim de 2023. A divulgação provocou uma discussão dentro do próprio STF sobre os limites da atuação de Mendonça como relator. A Procuradoria-Geral da República questionou parte dos procedimentos adotados pelo ministro e apontou possíveis nulidades na forma como a investigação relacionada a Moraes foi conduzida. O procurador-geral Paulo Gonet defende que o plenário do STF deve analisar questões relacionadas à eventual abertura de investigação contra um ministro da própria Corte. O encontro de Mendonça com Daniel Vorcaro No momento em que o nome de Mendonça passou a aparecer também em materiais relacionados a Vorcaro, surgiu outra informação relevante: o ministro havia se encontrado pessoalmente com o empresário antes de assumir a relatoria do caso. Mendonça confirmou nesta quarta-feira (2) que recebeu Vorcaro em março de 2025, em São Paulo, em uma reunião que ocorreu no Instituto ITER, instituição fundada pelo próprio ministro. Segundo Mendonça, foi a única vez em que esteve com o então dono do Banco Master. O ministro afirmou que se limitou a ouvir Vorcaro, que teria apresentado argumentos relacionados a uma ação no STF envolvendo precatórios de interesse do banco. A reunião teria sido intermediada pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e pelo advogado Ciro Rocha Soares. Segundo a versão apresentada por Mendonça, a conversa durou entre 20 e 30 minutos e teve como assunto a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, relacionada a precatórios. A confirmação do encontro ocorreu depois que mensagens e áudios encontrados no celular de Vorcaro trouxeram novos elementos sobre a aproximação entre o empresário e pessoas ligadas ao ministro. Reportagens sobre o conteúdo afirmaram que parte dos registros pode não coincidir integralmente com a versão apresentada por Mendonça sobre o encontro. O ministro, por sua vez, afirma que sua atuação posterior no processo não favoreceu Vorcaro. Mendonça destacou que tomou decisões contrárias aos interesses do empresário, incluindo a decisão que determinou sua prisão. Desdobramentos e disputa institucional no Supremo A junção de todos esses fatores criou um cenário inédito no STF, colocando Mendonça no centro de uma crise institucional. Enquanto conduz as ações contra o Banco Master, a decisão do relator de expor as mensagens contendo menções a Alexandre de Moraes gerou forte reação da PGR, que questiona a competência do ministro para atuar em frentes que envolvam membros da própria Corte. Em paralelo, a revelação do encontro prévio entre Mendonça e Vorcaro adicionou complexidade às apurações. Até o momento, todos os elementos divulgados são tratados estritamente como material investigativo, sem comprovação definitiva de crimes ou irregularidades por parte dos envolvidos. O caso segue em apuração e aguarda definições sobre a condução dos procedimentos no plenário do tribunal.