Aluno de 7 anos levou 13 pontos após socar janela de sala de aula da UME Dino Bueno, em Santos (Arquivo pessoal e Reprodução/ Prefeitura de Santos) Um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, de 7 anos, levou 13 pontos no braço após sofrer um corte dentro da sala de aula da Unidade Municipal Escolar (UME) Dino Bueno, em Santos, no litoral de São Paulo. O pai do menino, que registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, alega que o filho estava sendo assistido por um professor e dois profissionais durante o ocorrido, porém, de acordo com ele, ninguém agiu para evitar o ferimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Roberto Alves da Silva, 56 anos, pai do menino, conta que o filho está em fase de recuperação e traumatizado com o ocorrido. “Ele ainda chora muito, reclama de dor no braço e está sendo medicado a cada seis horas com analgésicos. No momento, não está indo para a escola, nem para as terapias diárias de que tanto necessita. O trauma existe: quando falamos em escola, ele fica arredio e, às vezes, chora”. O caso aconteceu na tarde da última sexta-feira (26). Roberto da Silva diz que deixou a criança na escola por volta das 13 horas, onde estuda de tarde, já que que durante a manhã frequenta a instituição Autistas Santos. Segundo o pai, por volta das 14h30, sua esposa recebeu uma ligação da escola informando que o filho havia se machucado e pedindo que o casal fosse até o local. O colégio também avisou que já havia acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Ao chegar à escola, deparei-me com o meu filho fora da sala de aula, sentado em uma cadeira junto com a professora e com o braço esquerdo coberto por um pano. Ao lado dele, estavam a mediadora da escola, a acompanhante terapêutica, a orientadora e a diretora do colégio. Ao ver o ferimento, fiquei transtornado e sem entender como aquilo foi possível, já que, na sala de aula, além da professora, meu filho estava sendo assistido por mais duas profissionais”, lembra o pai. O responsável diz que questionou o ocorrido e que foi informado de que o filho estava em uma mesa, correu em direção à janela da escola, que ficava a mais ou menos quatro metros de distância, e bateu com a mão esquerda no vidro. O incidente causou uma lesão grave em seu braço, sendo necessários 13 pontos. O pai complementa que nenhum funcionário da escola os acompanhou ou compareceu na unidade de saúde após serem levados pelo Samu até o Hospital Ana Costa. Indignação Roberto da Silva afirma que tenta entender o que aconteceu. "Existe a dificuldade por parte deles para explicar como o meu filho, sendo assistido por duas profissionais adultas sentadas ao lado dele, consegue se levantar e ir em direção à janela sem a interferência de ninguém. Esse é o ponto em questão e a nossa maior indignação”. Boletim de ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência do caso, registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. No documento consta que o pai, ao chegar à escola, foi informado que o filho teria dado um soco no vidro da janela com o braço esquerdo e se machucou. O caso foi registrado como lesão corporal. Posicionamento Por meio de nota, a Secretaria de Educação de Santos (Seduc) informou que, no momento do ocorrido, o aluno estava na sala de aula com a professora regente, acompanhado pela Profissional de Apoio Educacional Inclusivo (Paei) e pela profissional de uma clínica que o auxilia. “Em um episódio repentino de desregulação, o estudante foi de encontro à janela. As profissionais fizeram intervenção evitando que o aluno se machucasse na cabeça, mas não conseguiram impedir que ele desferisse um soco no vidro da janela, o que ocasionou a lesão no braço”. Segundo a secretaria, a equipe da escola tomou todas as providências cabíveis, prestando os primeiros socorros, chamando o Samu e o Corpo de Bombeiros e ligando para os familiares para informar sobre a ocorrência. “O genitor chegou à unidade antes do Samu e do resgate do Corpo de Bombeiros (CB), que também foi acionado. Quando a Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros fez o deslocamento até o PS (pronto-socorro), o pai acompanhou o filho na viatura, conforme protocolo de atendimento de emergência. Importante destacar que a Supervisão de Ensino e a Equipe Gestora da unidade estão acompanhando o caso”, finalizou a pasta, na nota.