[[legacy_image_344016]] Depois de episódios recorrentes de bullying, a mãe de um aluno de 12 anos da Escola Estadual João Octávio dos Santos relatou que o menino, autista e epiléptico, foi alvo de uma grande covardia na última quarta-feira (20) dentro da unidade, que fica no Morro São Bento, em Santos. Estudantes aproveitaram uma crise de epilepsia para rabiscar ofensas no corpo da vítima. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! ‘Autista retardado’, ‘gay’ e outras ofensas de cunho homofóbico foram escritas na testa, nuca e braço do menino e, segundo a mãe, ele foi deixado ao chão até o momento que retomou consciência. Como ele perdeu os sentidos e não sabia o que havia acontecido, disse ter apenas voltado para a sala de aula com os rabiscos e urinado. Doula e cuidadora infantil, a mãe Bárbara Aparecida Nogueira da Silva, de 38 anos, afirmou ter visto a situação apenas no horário da saída, quando encontrou o filho já incomodado com a situação. “Ele estava se tremendo, muito nervoso e os próprios alunos me passaram o nome de quem tinha feito isso com ele”. Após ter procurado a direção, a mulher citou não ter conseguido nenhuma ação efetiva sobre o caso, que não foi visto por nenhum adulto. A escola mantém um sistema de monitoramento interno, porém Bárbara disse ter sido informada que as agressões aconteceram em um ‘ponto cego’. A doula explicou que o menino vem sendo vítima de bullying desde que o irmão mais velho se descobriu transexual. Os estudantes da escola descobriram e tornaram o aluno alvo de piadas de cunho homofóbico. “Ele defende o irmão e, como ele não aceita que julguem o irmão, começaram a lhe chamar de gay”. Em um dos episódios de assédio, a mãe relatou que o filho foi abordado pelos colegas de escola dentro do banheiro e os meninos tentaram ver a parte genital dele, para confirmar se ele era menino ou ‘transformers’, maneira transfóbica que apelidaram o irmão mais velho dele. “Depois, ele começou a ter medo de ir ao banheiro na escola”. Depois do caso da última quarta, Bárbara descreveu que o filho ficou com a boca trêmula, em pânico, e não dormiu a noite inteira. “Me sinto incapaz. Inútil. Porque não fizeram nada. Quem realmente conhece meu filho, sabe a criança que ele é. Como um aluno sabe que existe um ponto cego na escola? Como uma câmera de escola não tem som? Como os alunos podem ficar sozinhos no banheiro ao ponto de querer mexer na genitália dos coleguinhas e ninguém ver? Não tem monitoramento?”, perguntou. Agora, por não ver mais solução para o problema, a mãe estuda mudar o aluno para outra escola. “Esses meses o meu filho passou a situação mais traumática da vida dele. Meu filho que lutou tanto pra chegar onde ele tá, fez tratamento, teve vários bloqueios e fez cirurgias para ter que estar onde ele está, para ter passar por isso. Isso que me revoltou mais”. PosicionamentoA Secretaria Estadual de Educação informou, em nota, que a direção da unidade buscou imagens do ocorrido assim que recebeu as denúncias da mãe do estudante. Na sequência, a equipe convocou os responsáveis pelos alunos acusados. Uma reunião foi marcada para esta sexta-feira (22). Ainda segundo a secretaria, a Diretoria de Ensino de Santos já designou um supervisor para apurar o caso e analisar as imagens internas. “Um profissional do programa Psicólogos na Educação está à disposição para acompanhamento do estudante, se autorizado pela responsável”, divulgou. Fora isso, também ressaltou que uma equipe do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP) também acompanha o caso e irá implementar estratégias de mediação de conflitos e trabalhos da cultura de paz na unidade escolar.