Mais de 30 voluntários participaram do almoço, tanto no preparo como na distribuição dos pratos (Alexsander Ferraz/AT) De origem jesuíta, mas de coração franciscano, o Papa Francisco sempre pregou a atenção aos mais pobres. Pois nesta quarta-feira (25), a ideia defendida por Sua Santidade foi vivenciada na prática, na 19ª edição da Ceia Franciscana, que aconteceu no Santuário de Santo Antônio do Valongo, em Santos. A realização foi da Juventude Franciscana (Jufra) do Valongo, com o apoio de outras entidades. Mais de 30 voluntários participaram do almoço, tanto no preparo como na distribuição dos pratos, que mataram a fome de dezenas de pessoas. Pouco antes do meio-dia, as cozinheiras estavam a todo vapor cuidando das refeições, enquanto os visitantes já aguardavam a hora do almoço. “Nós contamos, todos os anos, com a generosidade das pessoas - e nem sempre sabemos quem vem, quem vai nos ajudar. E está aí esse banquete, que faz com que o que cada um tenha um pouco de segurança alimentar”, explica o reitor do Santuário do Valongo, padre Denilson de Freitas da Silva. Perto das 12h30, ele fez uma oração, acompanhada por todos os presentes, em agradecimento pelo momento de comunhão por meio do alimento. Em seguida teve a distribuição dos pratos, com grandes mesas sendo ocupadas pelos visitantes. No cardápio, farofa, macarrão, frango, chester, tender, peru, arroz à grega, Água e refrigerante também eram servidos. “Não tem uma palavra que descreva o que a gente sente, porque dá uma paz no interior, dá uma felicidade”, descreve a professora Ana Lúcia dos Santos, de 56 anos e que participa como voluntária há 17 anos da Ceia Franciscana. Gratidão A doméstica desempregada Marilene da Rosa, de 55 anos, era uma das pessoas mais animadas na fila. Com gorro natalino, ela conta que é a segunda vez que participa do almoço no Santuário do Valongo. Ir à igreja, segundo ela, é um reforço da fé. “De vez em quando entro nas igrejas para rezar para Deus abençoar a minha vida, dos meus filhos e da minha família. Como hoje (ontem) meus filhos não estão comigo, resolvi vir. Cada um pegou seu caminho na vida”, diz. Em outra mesa, o pintor automotivo desempregado Fábio Paixão França, de 56 anos, também se rendeu à fé no dia de Natal. “A importância daqui é entender a maravilha do Natal de Cristo, vivo no nosso meio”. Manjedoura Voluntário da Ordem Franciscana Secular, Rodrigo Rocha da Paixão lembra que, antes do almoço, os moradores de rua tomam banho, se higienizam e só então se sentam para o banquete. “Não termina aqui. Quando sobra comida, fazemos marmitas e levamos para áreas carentes, como o Mercado”. Padre Denilson define a Ceia Franciscana como um momento especial. “Jesus está no presépio. O prato de comida é como uma manjedoura para essas pessoas”, finaliza.