Aglomerações no entorno das ruas Álvares de Azevedo e Lobo Vianna são denunciadas pela população em Santos (Reprodução) Moradores do bairro Boqueirão, em Santos, no litoral de São Paulo, voltaram a denunciar episódios recorrentes de perturbação do sossego, por parte de alunos das universidades da redondeza, nas imediações das ruas Álvares de Azevedo e Lobo Vianna. Segundo relatos, o barulho, as aglomerações e a desordem têm se intensificado durante a madrugada, causando transtornos à rotina das famílias. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma moradora, que vive na região há cerca de um ano e oito meses, afirma que as noites se tornam “um inferno” com as aglomerações dos universitários no entorno. “A polícia até aparece por volta das 22 horas, mas a bagunça começa depois das 23h30. Quando chega meia-noite, já não dá para dormir. E vai piorando: som alto, motos, carros fazendo racha. É um barulho insuportável”, relata. Segundo ela, os transtornos se estendem até altas horas da madrugada. “Meu neto teve dificuldade para ir à escola, porque não conseguimos descansar. Isso vai se repetir a semana inteira, principalmente na sexta-feira, quando junta ainda mais gente”, lamenta. -Aglomerações Boqueirão Santos (1.512780) Outro morador, promotor de eventos de 44 anos, também queixa-se do problema. “Algumas pessoas que nem são da faculdade acabam se reunindo em frente à universidade e nos bares. Eles ligam o carro com som alto, soltam fogos, ficam com motos fazendo barulho", afirma, ressaltando que nenhuma atitude foi tomada até o momento. Além do barulho, os moradores relatam comportamentos considerados inaceitáveis, como urinar nas fachadas de imóveis e atos de desrespeito nas vias públicas, afetando diretamente idosos, crianças e pessoas com necessidades especiais. A sensação de insegurança também é constante. Sem vínculo com a universidade A Universidade Santa Cecília (Unisanta) esclareceu que não possui qualquer relação com os episódios de perturbação do sossego relatados, destacando que suas atividades acadêmicas e administrativas são encerradas no período noturno, não havendo funcionamento durante a madrugada que justifique associação com os fatos mencionados. A instituição de ensino reforçou que a movimentação registrada nas ruas Álvares de Azevedo e Lobo Vianna envolve pessoas sem vínculo com a universidade, bem como estabelecimentos comerciais e bares da região. “A universidade também se colocou como parte impactada por essas ocorrências, que prejudicam não apenas os moradores, mas toda a comunidade do entorno”, diz a nota. A instituição de ensino afirmou ainda que mantém diálogo com órgãos de segurança e fiscalização e que está à disposição para colaborar com a Prefeitura e a Polícia Militar, sempre pautada pelo compromisso com a boa convivência, o respeito à comunidade e a ordem pública. “Nosso objetivo é contribuir para soluções que preservem o sossego e a qualidade de vida da vizinhança, sem comprometer o funcionamento acadêmico e o direito ao lazer de forma responsável”, finaliza. Fiscalização Já a Prefeitura de Santos informou que reconhece a movimentação intensa na região, especialmente no período citado, e que, mesmo com universidades no entorno, grande parte dos transtornos envolve pessoas sem vínculo direto com as instituições de ensino. Segundo a Administração Municipal, foram registradas ocorrências pela Guarda Civil Municipal (GCM), pelo Departamento de Fiscalização Empresarial (Defemp), pela Secretaria de Finanças e Gestão (Sefin) e pela Ouvidoria Municipal. Entre 2025 e 2026, foram realizadas 25 fiscalizações, com seis intimações, uma autuação e dispersão de aglomerações em diversas ocasiões. A Prefeitura explicou que o patrulhamento preventivo na região ocorre diariamente, principalmente no período noturno e na madrugada, e orienta os moradores a acionarem a GCM pelo 153 quando o barulho estiver acontecendo, garantindo atendimento imediato. Ainda de acordo com a Prefeitura, as equipes trabalham de forma integrada, envolvendo GCM, Sepref, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Defemp e Polícia Militar quando necessário, atuando dentro das competências legais para coibir o excesso de barulho, bloqueio das ruas e comportamentos que coloquem a segurança pública em risco. “A Prefeitura segue comprometida com a preservação do sossego dos moradores e com a ordem pública, adotando medidas preventivas e corretivas de forma contínua”, finaliza a nota. A Polícia Militar também foi procurada por A Tribuna, mas não se manifestou até a publicação desta matéria. Cobrança por providências Moradores cobram medidas mais efetivas para garantir o direito ao sossego, incluindo reforço no policiamento e fiscalização mais rigorosa das vias. “A gente não é contra a diversão, mas precisa ter limite. Do jeito que está, ninguém consegue descansar”, resume a moradora.