Exemplo dos riscos que o Transtorno de Acumulação Compulsiva pode causar está em incêndio ocorrido no domingo (Reprodução) Um incêndio atingiu a casa de uma mulher com Transtorno de Acumulação Compulsiva (TAC) no domingo (17). O excesso de objetos na residência, localizada na Vila Belmiro, em Santos, fez o Corpo de Bombeiros ter dificuldade para entrar no imóvel e apagar as chamas. A origem do fogo não foi divulgada, mas o episódio acende um alerta: o que é o TAC e quando guardar itens se torna patológico? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A professora Danielle Prado, do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, explica que quem tem TAC pensa que vai precisar daquele item eventualmente. “Pode ser qualquer coisa, de um móvel a um papel de bala, por exemplo.” A psicóloga Juliana de Cassia Leonel, mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica e professora da Universidade São Judas Tadeu, o TAC é um transtorno de ansiedade e compulsão. Há quadros em que pode se ligar a outros transtornos. Essas doenças englobam traumas e questões genéticas. “Alguns estudos apontam para comprometimento de áreas cerebrais que envolvem o processamento das emoções, tomada de decisões e funções executivas.” Danielle explica que o transtorno também está ligado à perda. “As pessoas que acumulam passaram por uma perda significativa na vida e, portanto, passam a guardar tudo devido ao medo da perda”, diz. Colecionando Colecionar, porém, não é doença. Juliana esclarece: no colecionismo, não há obstrução do ambiente, sofrimento ou prejuízo funcional. Quem sofre com TAC não consegue se desfazer de nada que acumulou. “Mesmo que aquilo não tenha utilidade, ela sempre vai usar a desculpa de que pode precisar um dia.” O diagnóstico parte de uma entrevista clínica realizada por psiquiatra ou em avaliação psicológica. Pedir ajuda Segundo Juliana, a ajuda psiquiátrica é necessária quando o paciente e a família sofrem com a acumulação e a insalubridade do ambiente. “O tratamento se inicia com uma boa avaliação multiprofissional, que inclui psiquiatra, psicólogo, vigilância sanitária e assistente social”, diz. Ela destaca que, ao se perceber que alguém próximo sofre do transtorno, o ideal é procurar um profissional de saúde mental. Para isso, é preciso ficar alerta aos sinais. “Os principais sintomas são guardar objetos que não têm utilidade e ansiedade intensa em pensar ou ter que se desfazer dos objetos. Em alguns casos, a pessoa pode ficar agressiva se houver a tentativa limpar sua casa ou de convencê-la de que tudo aquilo é lixo”, afirma Danielle. No tratamento, um psiquiatra pode prescrever medicamentos para controlar a ansiedade e o humor do paciente. A psicoterapia também é importante: o psicológo deve ajudar o paciente a lidar com questões de perda e a refletir sobre seus sentimentos e comportamentos. “O apoio de amigos e familiares é essencial para que o paciente consiga seguir o tratamento e superar seus medos e angústias”, menciona Danielle. Incidência O Transtorno de Acumulação Compulsiva (TAC) está presente na população na faixa de 1,5% a 6% dos habitantes. É mais comum em maiores de 65 anos. Prefeitura A Prefeitura de Santos comentou que o acúmulo na casa onde ocorreu o incêndio já era conhecido da Secretaria Municipal de Saúde, mas, por envolver uma questão comportamental e de espaço privado, havia conversas com o Ministério Público Estadual para intervir judicialmente no imóvel. Nesta segunda-feira (18), houve desratização no quadra onde fica a residência em que houve o incêndio. Para denunciar casos de acúmulo, a Ouvidora atende no site www.santos.sp.gov.br/ouvidoria; pelo telefone 162, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e no Paço Municipal (Praça Visconde de Mauá, s/nº, Centro), das 10h às 16h.