Elber: "Nosso papel é defender pautas relevantes para a região, independentemente dos governos ou dos ciclos eleitorais” (Vanessa Rodrigues/AT) O empresário Elber Alves Justo, que assumiu no último dia 15 a presidência da Associação Comercial de Santos (ACS), promete dar continuidade à gestão anterior, com o compromisso de manter o protagonismo da entidade. Ao mesmo tempo, deseja colaborar com a revitalização do Centro Histórico. Em entrevista à Tribuna, o diretor da MSC Brasil fala de suas metas para o mandato. Confira: Quais os principais debates que a ACS entende como prioritários hoje? A ACS sempre teve como missão contribuir para o desenvolvimento econômico e social da Cidade e da região. Todos os debates são importantes, mas, se tivermos que estabelecer prioridades, elas estão relacionadas aos temas que impactam diretamente a geração de empregos, a competitividade das empresas da região e a atração de investimentos. Quais são os principais temas abordados? Infraestrutura logística, desenvolvimento do Porto, revitalização urbana da Cidade – especialmente da região central –, inovação e a criação de um ambiente de negócios produtivo e atrativo. Também temos um olhar para a qualificação profissional, fundamental para sustentar esse desenvolvimento. Qual você considera a principal preocupação atualmente? Existe um volume expressivo de investimentos previsto para a Cidade. A principal preocupação é garantir que esses investimentos venham acompanhados de planejamento e sejam executados de forma integrada, para que possamos maximizar seus benefícios e assegurar resultados duradouros para a população. Trata-se de uma oportunidade que considero histórica e que precisa ser encarada com uma visão de longo prazo. Qual a importância de manter um canal permanente de diálogo com a Prefeitura? Nossa articulação com o Poder Público, seja municipal, estadual ou federal, é primordial e deve ser constantemente aprimorada. Um dos motivos pelos quais a ACS existe é justamente desempenhar esse papel de articulação entre os governos e as empresas, promovendo o diálogo e a construção de soluções para o desenvolvimento da região. Em um ano como 2026, como participar dos debates mantendo a neutralidade institucional? A ACS tem uma tradição de mais de um século de independência e diálogo institucional. Nosso papel é defender pautas relevantes para a região, independentemente dos governos ou dos ciclos eleitorais. O período eleitoral exige mais atenção e articulação, mas não muda o papel da entidade. Pelo contrário, devemos ser ainda mais atuantes, promovendo debates, encontros e sabatinas com os candidatos. Como vê a participação da entidade no processo de revitalização do Centro Histórico? Nossa própria sede está localizada no Centro Histórico. Por isso, houve um esforço importante nas últimas gestões para revitalizar esse espaço e ampliar sua utilização. Hoje, muitos eventos são realizados aqui, o que é nosso compromisso com a região central. Além disso, a ACS investiu em um novo terreno junto ao estacionamento, bem como na restauração de um imóvel para a instalação do Investe Centro. Também viabilizamos a ocupação comercial de outro imóvel pertencente à entidade, localizado na Rua Riachuelo. Continuaremos parceiros permanentes dessa transformação. Em relação às câmaras setoriais, além das reuniões mensais, o que pode ser feito para fortalecer os trabalhos? O objetivo é fortalecer ainda mais as câmaras setoriais para que elas sejam ambientes permanentes de debate e construção de soluções. Existe um trabalho operacional importante a ser realizado para garantir que os encontros periódicos aconteçam regularmente e gerem propostas concretas. Também queremos estimular a produção de estudos e ideias que promovam maior integração entre os setores representados na associação e o poder público. O sucesso das câmaras não está apenas na frequência das reuniões, mas na capacidade de transformar ideias em ações e debates que tragam resultados efetivos. O ex-presidente Mauro Sammarco disse que uma das conquistas da gestão dele foi trazer o Seminário do Café para Santos. Há planos para esse evento? O Seminário Internacional do Café é, sem dúvida, o evento mais importante da Associação Comercial, realizado a cada dois anos. Era uma ideia antiga, pelo que entendi, de trazer esse seminário do café para Santos. Uma ampliação depende da quantidade de pessoas e de parceiros. O setor do café vê Santos como um polo importante. Como você imagina a ACS ao final do seu mandato? Assumo a presidência de uma entidade que chega fortalecida graças ao trabalho realizado ao longo de diversas gestões. Houve um avanço significativo na profissionalização da gestão, na qualificação do nosso quadro de colaboradores, na modernização dos processos e, principalmente, no posicionamento institucional da ACS.