Diferença de velocidade para bicicletas é um elemento de conflito em Santos (Vanessa Rodrigues/ AT) Apesar de a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos ter feito blitzes e ações educativas mais intensas e frequentes desde outubro, o número de acidentes com bicicletas elétricas e veículos autopropelidos cresceu na cidade da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. De janeiro a maio, foram 18 ocorrências, ante 11 no mesmo período do ano passado (+63,6%). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A CET atribui o problema à maior quantidade de condutores desses modelos em ciclovias, ciclofaixas e nas demais vias. Velocidade acima da permitida e estacionamento indevido são as principais irregularidades anotadas. Enquanto isso, a convivência entre ciclistas e condutores de bicicletas e motos elétricas nas ciclovias é conflituosa. Quem anda de bicicleta aponta alta velocidade e manobras e ultrapassagens perigosas com os outros veículos. Condutores destes dizem que modelos não têm bloqueio de velocidade. Porém, concordam em que falta fiscalização pelo Município (leia mais abaixo). Na tentativa de conter incidentes, a Prefeitura enviou à Câmara um projeto para alterar a lei, de 2023, que regulamenta a circulação de elétricos e autopropelidos. Entre as propostas, estão o uso de equipamentos portáteis para fiscalização de velocidade e de dinamômetros para verificar se veículos movidos a eletricidade foram alterados para aumentar sua velocidade além do limite de fábrica. “No entanto, é indispensável que os usuários ajam com responsabilidade na condução desses veículos”, salienta a Administração, em nota. Bicicletas elétricas e autopropelidos devem circular em ciclovias e ciclofaixas, respeitando o limite de 20 km/h. Ciclomotores são proibidos nesses espaços. Máximo permitido de velocidade para bicicletas elétricas e veículos autopropelidos é de 20 km/h em Santos (Vanessa Rodrigues/ AT) Em ciclovias A Reportagem percorreu as ciclovias da orla e das avenidas Ana Costa, Siqueira Campos e Afonso Pena. Viu motos elétricas em alta velocidade, ultrapassagens perigosas e entradas na contramão em ruas e avenidas. Não havia fiscalização. Para a condutora de veículo elétrico Laura Soares Tito, de 19 anos, cabeleireira em Santos, o problema são os veículos modificados. Ela defende mais orientação e fiscalização. O condutor Jeilson Lelis de Oliveira, de 38 anos, de Praia Grande, cita excessos e afirma não ver orientação e fiscalização de veículos elétricos, sobretudo desbloqueados, que podem ir a 70 km/h. O ciclista Alan dos Santos, de 36 anos, que trafega em São Vicente e Santos, aponta manobras “bem arriscadas. Principalmente naquelas elétricas que têm o pneu mais largo. Se a gente não tomar cuidado, eles passam por cima.” Luiz Walter Teixeira, de 80 anos, aposentado, de Santos, afirma que a bicicleta elétrica facilita a locomoção. “Vejo só problemas com os mais jovens, que são mais atrevidos.” O ciclista Gilvan Pereira Santos, de 57 anos, de Guarujá, aponta a velocidade como problema. “Eles vêm a 30, 40 km/h, enquanto o limite é de 20 km/h.” Gilvan Santos: vão rápido demais; Alan cita manobras arriscadas; Luiz: “atrevidos”; Laura: modificados são problema; Jeilson: falta fiscalização (Vanessa Rodrigues/ AT)