[[legacy_image_10159]] O fim das atividades acadêmicas no antigo imóvel da Etec Escolástica Rosa, na Aparecida, em Santos, expôs sério problema de saúde pública: a proliferação de mosquitos e pragas. A denúncia parte de moradores no entorno do local, cujas aulas foram transferidas para um prédio na região central. A troca de endereço foi no começo do ano, após o Ministério Público do Trabalho (MPT) apontar falhas estruturais no centenário imóvel e exigir a desativação da unidade de ensino. Conforme relatos de vizinhos, a situação tornou-se mais grave após a desocupação do espaço – iniciada em dezembro. Eles afirmam que, desde então, não é mais feita manutenção nos mais de 15 mil metros quadrados de terreno. O local tem claros sinais de abandono. Os vizinhos citam que não houve a limpeza no galpão anexo ao edifício principal que cedeu após forte chuva que atingiu a região, em janeiro. Caixa de água descoberta e poças são comuns no espaço. “Inúmeras telhas, madeira e resto de material de construção se acumulam e viraram criadouros de mosquito. Falo de dengue, zika, Chikungunya e febre amarela. Ninguém toma uma atitude”, resume o vendedor Carlos Freitas de Souza. Residente no quarto andar em um condomínio ao lado da antiga escola, a servidora pública Aribela Gomes Peres afirma que a invasão dos insetos é recente. “Moro aqui há 15 anos e nunca houve mosquito no meu apartamento. Agora, fim de tarde a situação fica complicada”. Ela também relata a proliferação de pombos e demais pragas no resto de material acumulado no imóvel, pertencente à Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Santos. “Comprei veneno em spray, elétrico, raquete. Sem isso, fica complicado trabalhar. É uma praga”, afirma o zelador Leocárdio Rodrigues. Ele culpa o excesso de água parada no terreno ao lado do edifício que trabalha pela proliferação dos mosquitos. “São tantos [mosquitos] que eles sobem até o nono andar. Os moradores de frente [à antiga escola] são os que mais sofrem, mas [os insetos] estão em toda parte”, sustenta. Quem cuida? O imóvel ainda está alugado para o Centro Paula Souza (CPS), autarquia responsável pelo ensino técnico e tecnológico paulista. No começo do ano, a Santa Casa ingressou com ação de despejo na Justiça. Atualmente, aguarda-se a manifestação do locatário. Em nota, a entidade afirma que “a questão ligada ao mosquito será imediatamente informada ao locatário e ao juiz do caso, lembrando que o Centro Paula Souza é o responsável pelo imóvel até a entrega das chaves”. Diz, ainda, que após a entrega – ainda sem data – será realizada uma “vistoria com sua equipe de colaboradores para anunciar os próximos passos”. Já o CPS informa que negocia com a Santa Casa como será feita a desocupação e a devolução do imóvel. “Em relação à denúncia de infestação de mosquitos, será enviada uma equipe para verificar as condições do local”. Município A Secretaria Municipal de Saúde informa que o imóvel que abrigou a Etec Escolástica Rosa passa mensalmente por vistoria de agentes de combate a endemias da Seção de Controle de Vetores. A pasta menciona que a última visita no local ocorreu em abril. “Diante da queixa, uma nova inspeção será realizada no imóvel para verificar a situação atual e adotar as medidas necessárias”, diz a administração. Neste ano, a cidade registrou 42 casos de dengue. Quinze pacientes (35% do total) foram infectados nos bairros Macuco e Estuário. As secretarias municipal e estadual de Saúde intensificaram nessa semana as ações de bloqueio contra o mosquito Aedes aegypti nessas localidades. Um total de 1.462 imóveis serão visitados por agentes em busca de possíveis focos do mosquito transmissor da dengue, no trecho entre a Rua Almirante Tamandaré, Avenida Mário Covas Júnior, Avenida Almirante Cochrane e Avenida Afonso Pena.