A mostra pretende conscientizar sobre a necessidade de modificiar padrões para preservar o planeta (Victor Moriyama/Divulgação) A relação simbiótica entre meio ambiente e cultura humana, em seus matizes mais drásticos, é revelada na exposição Amazônia, Terra em Transe, com trabalhos do fotógrafo Victor Moriyama, que será aberta ao público na sexta-feira, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos). “A fotografia tem o poder de criar uma conexão emocional com o espectador. Meu objetivo é que as pessoas sintam o peso da destruição da Amazônia, mas também reconheçam a força e a resistência dos povos que vivem nela”, afirma Victor Moriyama. Com curadoria de Antonio Carlos Cavalcanti Filho e Carlos Zibel, a exposição reúne imagens que revelam, com profundidade e sensibilidade, a devastação da Amazônia e os impactos socioculturais dessa destruição. Inspirada no conceito de arte engajada, a exposição questiona a herança colonialista e eurocêntrica na representação da floresta e propõe um espaço de reflexão sobre a importância do protagonismo dos povos indígenas na luta pela preservação ambiental. Dessa forma, mais do que um registro documental, as fotografias de Moriyama funcionam como um manifesto visual, explorando a relação entre progresso e degradação e dando visibilidade à luta das populações indígenas e ribeirinhas pela preservação de suas terras e culturas. Recursos sem fim Desde a chegada dos colonizadores, a Amazônia tem sido retratada como um paraíso de recursos inesgotáveis. A exposição desconstrói essa visão romântica da floresta, apresentando imagens que evidenciam as consequências do desmatamento, das queimadas e da exploração ilegal de terras, com o consequente desastre social: o deslocamento forçado de comunidades e o sufocamento das culturas tradicionais. A mostra pretende estimular no público o olhar crítico sobre as relações de poder e os discursos históricos que sustentam a exploração da Amazônia. “Não se trata apenas de registrar imagens. É sobre dar visibilidade a histórias que muitas vezes são ignoradas, sobre criar pontes entre realidades distantes e provocar mudanças”, diz o fotógrafo. A mostra, que acontece em um ano simbólico para o debate ambiental – o Brasil sediará o COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climátcas, em Belém, no Pará –, integra a 3a edição do projeto Arte na Pinacoteca. Mais informações em www.pinacotecadesantos.org.br ou pelo WhatsApp (13) 99734-6364.