[[legacy_image_204226]] Avanços tecnológicos tornam nossa vida cada vez mais confortável – e saudável. Há 48 anos, o oftalmologista Luiz Roberto Colombo Barboza fez história ao dar mais um passo nessa escalada da tecnologia: foi ele quem realizou o primeiro transplante de córnea em Santos. O que era um desafio nos idos de 1974, hoje está bastante facilitado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Foi muito difícil, mas a gente conseguiu realizar e foi para a história. Tanto que esse fato consta nos anais da Câmara de Santos. Após isso, assumi a chefia da Santa Casa durante dez anos. Implantamos a residência médica e desenvolvemos o transplante de córnea, com muito sucesso”, conta o médico, que é presidente do Visão Laser. O profissional relembrou que também foi pioneiro na Cidade no transplante de córnea com laser, 31 anos depois. “O transplante foi evoluindo muito e nós temos várias técnicas hoje. Naquela época, fazíamos a trepanação, que é a retirada e a substituição da córnea lesionada”, explica. “Hoje, nós fazemos a trepanação de uma forma menor, dando chance de, se houver rejeição, ampliar a área de trepanação. Para cada olho, há mais chances de sucesso, por conta da córnea não ter vascularização”, afirma. Córnea artificial A evolução não para. Estudos recentes tentam criar uma córnea artificial para ser utilizada no procedimento. “Há estudos sendo feitos de córneas artificiais. Como é uma área que não tem vasos sanguíneos, estuda-se a possibilidade de transportar córneas que são desenvolvidas em laboratório”, diz. Antes, a cirurgia de transplante de córnea tinha uma recuperação mais demorada. O paciente chegava a ficar cerca de 15 dias com o olho tampado. Atualmente, ele sai do procedimento com o olho aberto. “Coloca uma lente de contato e volta a ter uma vida normal. O edema que ficava antes praticamente não existe, por todos os cuidados que são tomados”. E acrescenta: “Hoje, você pode fazer transplante com laser, tirando camadas da córnea e você implanta só uma lamela, um pedaço. Um avanço tecnológico de primeiro mundo. Nós fazemos aqui no hospital, temos feito muito em todos os lugares do País e fora dele também”, relata. Chances plenas O oftalmologista afirma que, atualmente, as chances de um procedimento ser bem sucedido são de 99%. Para evitar que o paciente tenha rejeição ao transplante, são utilizados imunossupressores, como corticoides. O caso mais comum que precisa de transplante é o de ceratocone, que é uma disfunção em que a córnea fica pontiaguda. Atualmente, há etapas de tratamento, antes da necessidade de um procedimento cirúrgico. “Tem outras tentativas de corrigir com lente de contato ou com laser. Quando os tratamentos clínicos não obtêm êxito, então vamos para o transplante. Quem tem ceratocone não precisa tirar toda a córnea. Hoje, chegamos à conclusão que você pode remover uma parte dela e fazer um transplante lamelar, só da parte lesionada”, conclui.