[[legacy_image_24568]] Apesar de apenas um em cada quatro pacientes santistas com exames confirmados do novo coronavírus ter 60 anos ou mais, o principal grupo de risco concentra 81% dos óbitos na Cidade. A taxa local é nove pontos percentuais acima da média nacional (72%), conforme dados do Ministério da Saúde - e supera os 74% no Estado. Os homens são a maioria, respondendo por mais de três a cada cinco vítimas fatais em Santos. A análise detalhada consta no cruzamento de dados oficiais feito por A Tribuna, a partir das informações em tempo real disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde até a última quinta-feira (30). Mortes Idade Nº de Mortes Porcentagem Acima de 90 7 13,5% De 80 a 89 16 30,8% De 70 a 79 14 26,9% De 60 a 69 5 9,6% De 50 a 59 6 11,5% De 40 a 49 3 5,8% De 30 a 39 1 1,9% Os números acendem o alerta nas autoridades de saúde, já que 22,3% da população santista tem mais de 60 anos, conforme projeções da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Também reforçam a importância das regras de quarentena para conter a escalada de óbitos na Cidade. “Esse fato (maior taxa de letalidade entre idosos) é conhecido na literatura médica. Por isso, a preocupação das regras de isolamento em nossa região, que preocupa (a evolução dos casos) por ter uma população envelhecida”, afirma o médico infectologista Evaldo Stanislau. Conforme o levantamento, os idosos somavam 42 das 52 mortes por complicações da covid-19 até a última quinta (veja no destaque o número de mortos por faixa etária no Município). Aparecida, Gonzaga e Campo Grande são os bairros santistas com mais óbitos de pessoas acima de 60 anos - quatro casos em cada. “Por isso o isolamento inclui os jovens, já que é elevada a probabilidade dos mais novos encontrarem em casa com um idoso. Uma vez infectado, o idoso acaba tendo esse desfecho (óbito ou mais tempo de internação)”, continua Stanislau. Recorte Os homens concentram 65,4% (34 casos) dos que perderam a luta para a covid-19, sendo que 34,6% eram mulheres (18). Os estudos realizados até aqui sobre a pandemia não conseguem sinalizar porque a maior concentração de mortes é do sexo masculino. O diretor científico da Sociedade Brasileira de Cardiologista (SBC), Fernando Baçal, indica que doenças associadas, como diabetes e cardiopatias, podem ajudar a explicar o motivo de a maioria das vítimas serem homens. Essas doenças são mais comuns ao sexo masculino. Sem apresentar os números, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que a “maioria dos casos de óbitos tinha pelo menos uma doença associada, entre eles hipertensão, diabetes e cardiopatias” e diz que investigações são realizadas. Tempo Real As informações sobre as internações e de doenças associadas aos pacientes com covid-19 estão sendo atualizadas e, em breve, entrarão no site alimentado em tempo real pela Prefeitura de Santos com os números do novo coronavírus na Cidade: www.santos.sp.gov.br/saude/coronavirus. Ainda segundo a pasta, 162 pacientes com síndromes respiratórias agudas graves tiveram alta hospitalar até três dias atrás. Deste total, 113 tiveram exames confirmando infecção pela covid-19 e outros 49 estavam em investigação. Tendência se repete em outras três cidades A faixa etária acima dos 60 anos também concentra a maioria das vítimas fatais em São Vicente, Praia Grande e Guarujá. Ao menos dois em cada três óbitos por complicações da covid-19 nessas localidades eram idosos. Entre os mais jovens, quase a totalidade das vítimas fatais tinha ao menos uma comorbidade. Segundo município regional com mais óbitos pelo novo coronavírus, Praia Grande somava até quinta-feira 29 pacientes que perderam a batalha para a pandemia. Desse universo, 15 óbitos de mulheres e 14 homens. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 18 vítimas fatais tinham mais de 60 anos - o que equivale a 62% dos casos. Onze tinham entre 31 e 59 anos (48%). Ao menos em 19 casos a vítima tinha ao menos um agravante, como diabetes, hipertensão, doença respiratória, doença cardíaca. São Vicente aparece na sequência com 15 óbitos e com a maior disparidade entre as faixas etárias: 80% correspondiam ao grupo acima dos 60 anos (12 mortes). Outras três pessoas tinham entre 19 e 43 anos. Nove vítimas fatais vicentinas eram do sexo feminino e seis, masculino. Em Guarujá a proporção por faixa etária é igual: quatro mortes com idades acima de 60 anos e mesmo número até 59 anos. Menores de 60 anos Em Cubatão, há a inversão dos dados regionais e nacional. A cidade não teve nenhum óbito de pacientes com mais de 60 anos. E a maioria é do sexo feminino. A Cidade registrava quatro vítimas fatais até a véspera do feriado do Dia do Trabalhador, sendo três mulheres. Na quarta-feira (29), uma paciente do sexo feminino de 43 anos faleceu. As outras mortes são de uma mulher de 41 anos com imunodeficiência, uma mulher de 52 anos e um homem de 56 anos – ambos com comorbidade.