[[legacy_image_205374]] O Brasil celebra nesta quarta (7) o bicentenário da Independência, um dos momentos mais marcantes da história do País. Esse importante capítulo teve influência direta de um santista: José Bonifácio de Andrada e Silva. Reconhecido internacionalmente, ele é o filho mais ilustre do Município pela grande capacidade intelectual e por ter ideias à frente do seu tempo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nascido em 13 de junho de 1763 e formado em Ciências Naturais e em Direito, em Coimbra (Portugal), ganhou a alcunha de Patriarca da Independência por ter sido o grande responsável por convencer dom Pedro a proclamar a separação de Portugal. O pesquisador de História e jornalista Sergio Willians afirmou que José Bonifácio e a princesa Leopoldina (esposa de dom Pedro) tiveram um papel primordial na forma como o Brasil se libertou da nação europeia. “Por sua visão de estadista, ele conseguiu construir uma nação de uma forma muito sólida. Se o Brasil tem esse tamanho continental até hoje, José Bonifácio também foi fundamental”, justificou. Assim como Simón Bolívar, que liderou a independência da Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela em relação à Espanha, José Bonifácio é considerado um dos libertadores da América ao lado de dom Pedro e outras figuras históricas. Segundo o pesquisador, a importância de José Bonifácio era tão grande que, em 1839, quando Santos foi alçada à condição de cidade, houve uma discussão para mudar o nome do município para Bonifácia ou Andradina. Primeiro chancelerO santista foi um intelectual com grande experiência e vivência na Europa por mais de três décadas. “Ele não era aquele político das negociações e dos conchavos. Por isso, ele não foi uma pessoa que conseguiu o seu espaço de forma perene. José Bonifácio foi afastado por inveja e punido pela sua sinceridade e lealdade”. Após viver por 36 anos na Europa, o santista retornou em 1819 à cidade natal para fugir da vida pública. Mas, dois anos depois, foi alçado a vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo e tornou-se próximo de dom Pedro. [[legacy_image_205375]] Em 1822, no novo reino, o santista tornou-se o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de ministro de Estado ao comandar a pasta dos Negócios do Império e Negócios Estrangeiros. Por ter a responsabilidade de realizar a primeira política externa da nova nação, ele pode ser considerado o primeiro chanceler da história do País. Diante de uma conjuntura política conturbada, dom Pedro deixou de lado o grande aliado e o mandou para o exílio na França, no ano seguinte. Em 1831, o imperador o indicou para ser o tutor de seu filho – o futuro dom Pedro II –, mas foi destituído da função dois anos mais tarde por ter mais inimigos do que amigos no reino. Após o afastamento da família real brasileira, José Bonifácio foi morar na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, onde morreu em 1838, aos 74 anos. Feitos históricosEm artigo publicado por A Tribuna, na edição de 26 de janeiro deste ano, a historiadora Wilma Therezinha Fernandes de Andrade destacou algumas das ideias inovadoras de José Bonifácio, como a proposta de conceder uma licença para a mulher grávida e após o nascimento do bebê. Essa seria uma forma de poupá-las dos trabalhos pesados ou de carregar pesos que poderiam prejudicá-las. Ele também se destacou pela defesa da ecologia, ao escrever tratados para a preservação das florestas e de várias espécies de vegetais, e de um tratamento digno aos povos indígenas. Wilma citou, também, que José Bonifácio defendia a necessidade de abolir a escravatura de uma forma gradual e planejada. “Uma prova disso é que, quando se estabeleceu na Vila de Santos, no sítio dos Outeirinhos, ele só empregou a mão de obra livre, para dar exemplo de que o trabalho livre é mais produtivo que o trabalho escravo”, destacou. José Bonifácio também deixou uma grande contribuição na área da mineralogia. Ele foi o descobridor do espodumênio, criolita, escapolita e petalita, esta última que possibilitou a descoberta do elemento lítio, que é fundamental para o funcionamento do telefone celular. Novo nome Ao contrário do que muitos imaginam, o imponente edifício do Paço Municipal, localizado na Praça Mauá, no Centro, não recebeu o nome de Palácio José Bonifácio ao ser inaugurado, em 26 de janeiro de 1939. A sede da Prefeitura era intitulada de Palácio e só levou o nome do ilustre santista em 1964, a partir da Lei Municipal 3.012/1964, de autoria do então vereador Gilberto Marques Freitas Guimarães. Programação especial A Prefeitura de Santos fará uma programação especial nesta quarta (7) para celebrar os 200 anos da Independência do Brasil. A festa terá início às 10h, com a inauguração do Memorial José Bonifácio, localizado na Praça Mauá, no Centro, e com a realização do desfile cívico. Às 11h30, ocorrerá a entrega da estátua do Patriarca da Independência, na Praça Barão do Rio Branco. Até o dia 16, o público também poderá acompanhar a exposição Protagonistas no Processo de Independência do Brasil, no Outeiro de Santa Catarina, no Valongo. Desta quarta até domingo (11), será possível fazer um passeio especial de bonde para aprender um pouco mais sobre a ligação do Centro Histórico com esse importante episódio da história do País. As saídas serão realizadas entre 11h e 17h, com exceção desta quarta, quando o passeio terá início às 13h, e quinta (8), com a última viagem às 15h. O ingresso custa R\$ 7,00. Professores, estudantes e maiores de 60 anos pagam meia-entrada. [[legacy_image_205376]] Exposição de selosPara celebrar o bicentenário da Independência, o Clube Filatélico e Numismático fará a 26ª Exposição Filatélica e Numismática de Santos (Sanpex), nesta quarta (7), na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (Av. Conselheiro Nébias, 689), a partir das 15h. O evento contará com oito coleções de filatelia e outras três numismáticas, todas de 10 expositores da Baixada Santista. Além disso, os Correios vão lançar, às 15h45, um carimbo em comemoração ao bicentenário e à Sanpex. O desenho do carimbo comemorativo traz a efígie do santista José Bonifácio, o logo da Federação Brasileira de Filatelia, o símbolo da Maçonaria e o carimbo “peixe”, utilizado nas correspondências que saíam de Santos até o ano de 1838. “A filatelia é uma documentação histórica, e esta exposição é muito tradicional. Além disso, as pessoas terão a oportunidade de conhecer o Instituto Geográfico de Santos, que é um edifício antigo e belo”, disse o presidente da Federação Brasileira de Filatelia, Rogério Dedivitis.