[[legacy_image_18804]] A pandemia do novo coronavírus impactou no nível de empregos e também nos salários praticados na Baixada Santista. A construção civil foi um dos poucos setores a não parar, resultando em remuneração mais elevada na maioria das cidades em outubro na comparação com igual período de 2019. Já comércio e serviços ficaram na lista dos segmentos mais afetados pela crise. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! O salário médio na construção civil ficou em R\$ 1.924,79 (+4,87%). Comércio apresentou vencimentos médios de R\$ 1.537,64 (-0,87%) e serviços, de R\$ 1.238,40 (-9,3%). Os valores referem-se ao mês de outubro, último dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, de 2020. Já no ano passado, no mesmo período, construção civil apresentava remuneração média de R\$1.835,25. No comércio, o rendimento médio foi de R\$ 1.551,22 e serviços, R\$1.365,42, conforme informações do Caged. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial (Sintracomos), Marcos Braz de Oliveira, o Macaé, confirma que o desempenho foi positivo porque o setor não parou ao longo da pandemia. “A gente se adequou à situação montando turnos de trabalho, cumprindo protocolos sanitários e deixando pessoas com mais de 60 anos ou comorbidade em casa, mas recebendo tudo. Além disso, ainda tivemos a reposição da inflação, o que não ocorreu com muitas categorias”. Contratar por menos Demitir e preencher a vaga, depois, oferecendo salários menores virou prática no mercado, avalia o professor e doutor em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ricardo Hammoud. “Isso está acontecendo e é uma tendência que deve permanecer por um período ainda. Porque, em tempos de desemprego, o salário real, descontada a inflação, tende a cair. De forma geral, há muita oferta de trabalhadores e pouca demanda por mão de obra”. A queda na remuneração já vinha ocorrendo nos últimos anos, destaca a consultora de carreira da Trigo RH, Roberta Trigo, e se acentuou durante a pandemia, uma vez que muitas lojas e empresas tiveram de fechar as portas por mais de três meses. “Esse rebaixamento de salário é um movimento que vem ocorrendo há um tempo. Tenho um caso em que um gerente que ganhava R\$ 18 mil foi desligado. Isso há uns três anos e quem assumiu a gerência passou a receber R\$ 8 mil, menos da metade. Agora situação ganhou novos contornos”. Servente de pedreiro foi a função em destaque na região Levantamento divulgado esta semana pela fundação Seade aponta funções que tiveram destaque ao longo do terceiro trimestre deste ano na Baixada. Servente de obras foi o cargo com maior saldo positivo, acumulando 238 vagas. O saldo é calculado levando em conta admissões e demissões no período. Atendente de lojas e mercados ficou com a segunda colocação, com 182 postos de trabalho. Operador de telemarketing receptivo ficou em terceiro lugar, com 163 contratações. Apesar dos números no azul para essas categorias, no terceiro trimestre houve retração de 11.403 postos de trabalho na comparação a igual período de 2019 – uma queda de 3,4%, de acordo com a Fundação Seade. “A economia vai se recuperar de uma forma mais lenta. Nesse terceiro trimestre, o PIB cresceu bastante. Mas tem que lembrar que a queda também foi muito grande”, avalia o doutor em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ricardo Hammoud. Segundo ele, a redução no nível de emprego não ficará restrita a 2020, epicentro da pandemia, ainda vai durar cerca de dois anos. “Como Brasil tem baixa taxa de investimento e não vai crescer de forma tão forte, o desemprego vai diminuir, porém essa queda será gradual e as contratações serão com salários menores”.