"Dentro desse montante, há investimentos já contratados e em execução, e obras emblemáticas” (Alexsander Ferraz/AT) À frente da Sabesp em um momento de mudanças e ampliação dos investimentos em saneamento, o diretor-presidente da companhia, Carlos Piani, afirma que a empresa entrou em uma fase de execução em escala para enfrentar problemas históricos do setor. Em entrevista, ele detalha os investimentos previstos de R\$ 7,5 bilhões para a Baixada Santista até 2029. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O senhor está à frente da Sabesp em um momento de grandes transformações. Qual é o principal balanço que faz do seu período na presidência até agora? O principal balanço é que a Sabesp entrou em uma fase de execução em escala, com foco em atacar problemas históricos com soluções definitivas. Isso aparece no ritmo de investimentos e na capacidade de entrega. Em 2025, a companhia investiu R\$ 15,2 bilhões, 120% acima de 2024, e em 2026 esse montante pode superar R\$ 20 bilhões, já incorporando aportes em resiliência hídrica. Ao mesmo tempo, o compromisso do novo ciclo é antecipar a universalização para 2029, com metas contratuais e fiscalização, para que saneamento chegue também onde historicamente não chegou. Qual é o volume de investimentos previstos pela Sabesp nos próximos anos e em quais áreas eles estão concentrados? O plano é de cerca de R\$ 70 bilhões até 2029 e R\$ 260 bilhões até 2060, com foco em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e modernização operacional para cumprir metas contratuais. Obviamente, esses valores passam por constante revisão por conta de questões regulatórias inflacionárias e decisões de gestão. No curto prazo, isso se traduz também no ritmo anual: R\$ 15,2 bilhões investidos em 2025, podendo superar R\$ 20 bilhões em 2026. Há projetos estruturantes que o senhor destacaria como prioritários neste momento? Na Baixada Santista, eu destacaria três prioridades estruturantes, porque atacam exatamente os gargalos históricos de integração, reservação e produção: a adutora subaquática Santos-Guarujá, o Pulmão de Reservação do Sistema Mambu Branco, com 40 milhões de litros, e a nova ETA Melvi, com 1.270 litros por segundo. Além disso, há uma agenda robusta de esgoto, com expansão de rede e novas ligações, porque qualidade da água e balneabilidade também são parte da solução definitiva para a região. Quais investimentos específicos estão sendo realizados ou planejados para a região? O plano para a Baixada é de R\$ 7,5 bilhões até 2029, com obras de água e esgoto. Dentro desse montante, há investimentos já contratados e em execução, e obras emblemáticas como a travessia Santos-Guarujá, de R\$ 134,7 milhões, com 5,56 km de extensão e capacidade de adicionar 500 litros por segundo para o sistema, com entrega prevista para 2026. Além disso, a companhia vem mantendo um pipeline contínuo de obras para ampliar a oferta de água e resolver carências históricas, com mais de R\$ 1 bilhão em obras em andamento em um dos recortes recentes. A Baixada Santista enfrenta desafios particulares, como áreas de mangue, ocupações irregulares e alta sazonalidade. Como a Sabesp trabalha para atender essas especificidades? Primeiro, com diagnóstico fino e engenharia adequada ao território. Segundo, com coordenação com as prefeituras, porque parte da solução envolve levar infraestrutura a áreas que historicamente ficaram fora e que dependem de autorização municipal e planejamento conjunto. E, no verão, com operação reforçada, porque a sazonalidade é real e pressiona um sistema que, por décadas, foi dimensionado para um cenário diferente. Em períodos de alta temporada, há um aumento significativo na demanda por água. O sistema está preparado para esse crescimento? O que aconteceu no último verão deixou claro o tamanho do desafio: a população pode crescer 3,5 vezes na Baixada e o volume distribuído na alta temporada é muito maior do que em outros períodos. No curto prazo, a resposta é reforço operacional e planejamento pré-temporada, com mais recursos e resposta rápida. Em momentos críticos recentes, foi necessário mobilizar mais de 40 caminhões-pipa para atender prioridades e áreas mais vulneráveis. No médio prazo, a preparação real vem das obras estruturantes que aumentam reservação, integração e produção, para que pico de demanda não vire ruptura de abastecimento. Como é a relação da Sabesp com as prefeituras da Baixada Santista no planejamento e execução das obras? É uma relação de cooperação técnica e institucional, porque as soluções definitivas exigem alinhamento de cronograma, licenças, interferências urbanas e atuação em áreas vulneráveis. O trabalho envolve gestão integrada e comunicação coordenada com os municípios, especialmente no Plano Verão. E, quando há cobrança, ela é legítima: a Sabesp presta esclarecimentos, divide informações e busca soluções conjuntas com as prefeituras e demais instâncias.