A Sabesp negou que sua operação tenha relação com o surto de virose que atinge cidades do litoral de São Paulo nos primeiros dias de 2025. O pronunciamento veio após a Prefeitura de Guarujá notificar a companhia sobre a possibilidade de vazamentos e ligações clandestinas de esgoto serem a causa do aumento dos casos da doença. Em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto na região, afirmou não ter identificado qualquer problema em sua rede que possa ter atingido as praias de Guarujá. Além disso, a companhia garantiu que os sistemas de água e esgoto da Baixada Santista estão operando normalmente, e que os monitora 24 horas por dia. Ainda de acordo com o pronunciamento, feito na noite de sábado (4), a companhia disse não ter sido notificada pela Prefeitura, mas que já havia prestado, de toda forma, os devidos esclarecimentos à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O comunicado destaca, além disso, que a cidade tem cerca de 45 mil imóveis irregulares e que a balneabilidade das praias do município pode estar sendo afetada pelo possível despejo de esgoto realizado em galerias de águas pluviais. “Isso porque as redes municipais de águas das chuvas, que devem ser fiscalizadas pela Prefeitura, desembocam no mar”, esclarece a companhia. Notificação Conforme noticiado por A Tribuna no sábado (4), o Município afirmou ter notificado a Sabesp na sexta-feira (3) e que não teve respostas, prometendo retomar o contato na segunda-feira (6). A Prefeitura disse também aguardar o resultado de análises encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para tentar esclarecer a origem dos casos de GECA (gastroenterocolite aguda), doença que causa inflamação no estômago, intestino delgado e intestino grosso. “Queremos descobrir a origem da virose, que começou ainda antes do Natal, e só os laudos trarão essa resposta. A onda de infecção agora migrou para as cidades vizinhas, o que é muito comum em casos de viroses causadas, provavelmente, por Norovírus, transmitidos por água contaminada”, afirmou o coordenador da Vigilância Sanitária de Guarujá, Marco Chacon. Na ocasião, a Sabesp informou que adotou as medidas para verificar as solicitações da Prefeitura e prestou os esclarecimentos necessários à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A companhia também havia comunicado, assim como no novo pronunciamento, que tem monitorado o sistema de esgoto da região e garantido que ele opera normalmente. “Cabe destacar que as fortes chuvas podem sobrecarregar o sistema (de esgoto) devido à entrada irregular de água pluvial, já que o sistema não foi projetado para essa finalidade”, acrescentou a Sabesp, em nota. Período mais crítico foi superado no Guarujá? No sábado (4), segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Guarujá, o tempo médio para atendimento médico girava em torno de 1 hora em algumas unidades. Na manhã deste domingo (5), o fluxo de pessoas se encontra dentro da normalidade, de acordo com a pasta. O coordenador da Vigilância Sanitária de Guarujá, Marco Chacon, acredita que o pico da virose já foi superado, graças às medidas adotadas. "O reforço da estrutura, com mais médicos, enfermeiros e estações para aplicação de soro, deu resultado. Hoje, as salas de emergência e soroterapia dos Prontos Socorros (PSs) estão vazias, não há mais filas e as Unidades de Saúde da Família apresentam fluxo de pessoas dentro da normalidade", disse ele. As unidades de Saúde da Família dos bairros Jd. dos Pássaros, Vila Rã e Cidade Atlântica, que faziam apenas atendimento eletivo das 7h às 17h, continuam abertas até às 22 horas, sem a necessidade de agendamento de consultas. O atendimento em horário estendido segue até este domingo, podendo ser ampliado em caso de necessidade. Virose na Baixada Santista Na última sexta-feira (3), A Tribuna noticiou os dados de atendimentos sobre virose nas cidades da Baixada Santista. Alguns municípios informaram que o número de pacientes com os sintomas da doença apresentou alta nos três primeiros dias do ano. Alegando não ter dados de casos de virose, Praia Grande confirmou que as unidades de urgência e emergência da Cidade têm atendido pacientes nessa situação com mais frequência. O volume, diz, está relacionado ao grande número de turistas que visitam a Cidade nesta época do ano. Santos informou que, em novembro, houve 2.147 atendimentos; em dezembro, 2.264 e, em janeiro, 273. Em Cubatão, segundo a Prefeitura, o Pronto-Socorro Central fez 22 atendimentos sobre virose, sendo 9 de moradores da Cidade e 13 de outras cidades da região. Na UPA do Casqueiro foram mais 158 atendimentos sobre virose, sendo 100 moradores de Cubatão e 58 de outras cidades, e ainda mais quatro atendimentos no Pronto-Socorro Infantil. A Administração informou, ainda, que na quinta e sexta (2 e 3) foi decretado ponto facultativo, prejudicando o levantamento estatístico. As demais cidades que responderam não indicaram números deste mês. Guarujá registrou aumento em dezembro, com 2.064 pacientes nas unidades de Pronto Atendimento, e estendeu o horário de funcionamento de três unidades de saúde. O Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, informou que, em dezembro, ocorreram 300 casos de diarreia. A Prefeitura de Peruíbe citou que não houve aumento de casos de virose em relação ao ano passado. Em Mongaguá, registrou-se alta de 35% nos atendimentos desde o início de dezembro, especialmente de disenteria. A de Itanhaém não respondeu até a data em que a reportagem foi publicada. Cetesb A Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) também foi procurada pela Reportagem. Em nota, o órgão, que monitora a balneabilidade das praias do Litoral paulista, e a Secretaria Estadual da Saúde informaram acompanhar e orientar os municípios sobre as medidas a serem adotadas em casos do tipo. Leia mais Virose no litoral de São Paulo: veja praias impróprias e com risco à saúde Maioria dos casos de virose pode ser tratada em casa, diz infectologista