[[legacy_image_26564]] O governador João Doria (PSDB) autorizou a contratação de mais 1,4 mil leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para todo o estado, além de 1,2 mil que já haviam sido disponibilizados anteriormente para pacientes graves infectados com a Covid-19. A informação foi dada pelo coordenador do Centro de Contingência de coronavírus do estado, o infectologista David Uip, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (16). A Secretaria de Estado da Saúde não soube informar quantos ficarão na Baixada Santista. Segundo Uip, o Governo trabalha em duas frentes: prevenção e preparo para atendimento dos doentes graves. Por enquanto, diz ele, a maior parte dos pacientes foi absorvida pela rede particular (planos de saúde). “Daqui a pouco, estaremos pressionados no serviço público. Seguramente nós teremos doentes graves, estamos tendo doentes graves. Sabemos como enfrentar”. Isolamento de cidades Ao ser questionado sobre possível isolamento de cidades ou regiões, o secretário estadual de Saúde, Luiz Henrique German, afirma que ainda não é possível saber, é preciso acompanhar como o vírus irá se comportar no país. “Estamos observando diuturnamente. Essa epidemia terá um certo período e teremos perdas [mortes], não se iludam. Mas, estamos trabalhando para o mínimo possível, nossa intenção é que essa incidência diminua para que os serviços de saúde não colapsem”. Uip acredita que a epidemia deve durar de 4 a 5 meses, mas não quer dizer que as medidas de contenção, como isolamento social e paralisação de aulas e eventos, vão continuar durante esse tempo. Tudo dependerá da curva de infecção e de um consenso entre as autoridades e especialistas Questionado sobre o impacto econômico das medidas restritivas, Doria foi enfático. “A prioridade do Governo do Estado é salvar vidas. Na sequência, vem desenvolvimento, o emprego, a mobilidade, dentro dos protocolos que a saúde pública determina. O coronavírus é uma passagem, pode levar cinco meses ou menos – que é o que desejamos. Estamos preparados para o período pós-coronavírus”. Mau exemplo O governador criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por ter contrariado recomendações de saúde pública e participado de atos a favor dele mesmo, em Brasília, domingo. Para Doria, foi uma participação inadequada e um mau exemplo do presidente da República. “Mau exemplo como cidadão, como chefe de Estado. Deveria ser o primeiro a dar o bom exemplo. É lamentável. Lamento como brasileiro e como governador de São Paulo que o presidente do meu país não tenha sensibilidade e em uma hora tão difícil tenha dado o pior exemplo. Espero que ele tenha humildade, bom senso e orientação para dar bons exemplos”.