[[legacy_image_230440]] O concreto é frio. Mas não os 420 mil metros cúbicos do material e as 25 mil toneladas de aço utilizados por 4,5 mil trabalhadores nos 21 quilômetros de extensão da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O caminho leva às cidades da Baixada Santista, passando por nove viadutos e três túneis — totalizando 8.230 metros, dos quais um deles é o mais longo (3.146 metros) e o segundo maior do País. Após duas décadas da inauguração, em 17 de dezembro de 2002, e mais de 205 milhões de veículos, as emoções ainda afloram. Na lembrança, o sonho realizado com a construção da rodovia, iniciada em setembro de 1998: o de superar congestionamentos cada vez mais constantes. “Quando ficou pronta, o volume de pessoas que passavam para conhecer era impressionante. Muitas paravam com a família para tirar fotos no trecho de Serra, na altura do km 46, em que há uma vista muito bonita, e registrar aquele momento marcante. Não vou esquecer nunca”, recorda Marcio Vono, atual coordenador de Tráfego e CCO da Ecovias, administradora do Sistema Anchieta-Imigrantes. Na época, ele era arrecadador de pedágio. Entre o antigo e o novoNo dia da inauguração, o então governador Geraldo Alckmin embarcou em um Lincoln conversível cupê, fabricado em 1941, juntamente com Irineu Meireles, na época presidente da Ecovias, e o ex-governador Laudo Natel. O carro era antigo, mas a nova pista mostrava o futuro. A começar pela construção, que exigiu 40 vezes menos desmatamento do que a primeira, inaugurada em 28 de junho de 1976. “(A segunda pista) É um dos ícones da engenharia civil brasileira. As técnicas utilizadas, com cuidados relativos à fauna e à flora, tornam a obra ainda mais desafiadora”, afirma Naélson Cândido, gerente de Engenharia da Ecovias, que entrou na empresa seis anos depois da abertura da rodovia (em 2008). Durante a construção dos túneis, quatro jumbos, potentes equipamentos trazidos da Suécia e geralmente utilizados em obras de metrôs, foram utilizados para a perfuração dos maciços que estavam no caminho. Abriu-se, também, o desenvolvimento econômico. “O impacto no mercado imobiliário e na construção civil foi importante para a região, gerando empregos e renda”, afirma o economista Denis Castro. [[legacy_image_230441]] Presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (SinHoRes), Heitor Gonzalez lembra as dificuldades para descer rumo ao Litoral, muitas vezes depois de dez horas. “Isso afastava o turismo de nós. Então, essa duplicação foi o fato mais importante do último meio século, que veio a consolidar a região como opção turística e a possibilidade de ir e vir de forma mais normal”, afirma Gonzalez, na ocasião secretário de Turismo de Guarujá. “Bares, restaurantes e hotéis sentiram instantaneamente o crescimento”, emenda. Presidente da Associação dos Profissionais de Turismo da Baixada Santista, Eduardo Silveira ressalta o novo olhar para a região sob vários aspectos. “Essa nova pista permitiu que as pessoas morem na Baixada e trabalhem em São Paulo, com mais agilidade no deslocamento. Também ajudou as empresas a investirem mais na região. Além disso, novos hotéis foram abertos, com o interesse das redes internacionais, e com a região entrando no radar dos eventos”. Essas são provas de que o concreto nem sempre é tão frio. Mas há quem veja necessidade de nova ligaçãoAlém da grande importância da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes para a economia, a quantidade de pessoas que transita pela rodovia continua aumentando. Diante disso, nota-se a necessidade de um novo acesso para a Baixada, para escoar melhor esse fluxo. “Ela (pista) já se mostra insuficiente, principalmente quando ocorrem as operações e, em razão disso, veículos de passeio são obrigados a descer pela Anchieta, que tem um número alto de acidentes e mortes”, avalia o economista Denis Castro, que também considera necessária uma política de desenvolvimento econômico regional, articulada entre os governos Federal, Estadual e municipais para geração de empregos, especialmente na indústria. [[legacy_image_230442]] “Vinte e sete por cento do PIB (Produto Interno Bruto) passam pelo Porto de Santos. Muitas commodities agrícolas poderiam ser exportadas por um valor maior se houvesse indústrias para processar essas commodities e agregar valor aos produtos exportados, além de empregos, renda e riqueza para a região”. Eduardo Silveira, presidente da Associação dos Profissionais de Turismo da Baixada Santista, defende que a região tenha a maior quantidade possível de acessos, tanto para quem vem de fora quanto para interligar melhor as cidades e facilitar as vidas dos moradores da Baixada. “Seria importante ter essa ligação direta com o Litoral Sul como já temos com o Litoral Norte. Isso atenderia uma demanda significativa de turistas e dividiria um pouco do movimento”, sugere. “Talvez uma nova ligação direta com o Litoral Sul pudesse ser uma estratégia para ligar o aeroporto que temos no Litoral Sul (em Itanhaém), fomentando o turismo e ampliando os acessos”. A Reportagem procurou o Estado para tratar de perspectivas a respeito do assunto, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.