[[legacy_image_213811]] Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra (PL), reeleito para a Assembleia Legislativa, teve votação que o credenciaria a um lugar na Câmara do Deputados. Foram 209.705 votos, a oitava colocação para a Assembleia Legislativa no Estado. Suficiente para fazê-lo sonhar com voos mais altos? Ele afirma que ainda não. Para A Tribuna, o deputado diz que não pretende deixar o mandato para concorrer à Prefeitura de Santos em 2024. Seu objetivo, nesta e na próxima legislatura, tem como focos mobilidade urbana e expansão do projeto das escolas cívico-militares. Confira a entrevista: Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A sua votação cresceu bastante entre 2018 e esta eleição. O senhor acredita que isso aumenta sua responsabilidade nos pleitos envolvendo a Baixada Santista?Fico feliz com a votação, porque, a primeira eleição, eu brinco que é a da promessa, porque você, de fato, ainda não fez nada. Já a segunda é por uma demonstração de trabalho. Fico muito feliz que essa reeleição tenha um resultado tão expressivo. Houve muitos votos de outras regiões. Como analisa isso?Os votos de fora (da Baixada Santista) foram por conta do trabalho durante os quatro anos. Visitei mais de 550 cidades e a gente resolveu muitos problemas. Escutava a população e levávamos para o Governo do Estado, muitas vezes até para Brasília. Por isso, a maioria dos meus votos foi fora. Se a gente analisar, dos quase 210 mil votos, tive 80 mil na Baixada e 130 mil fora. Houve um aumento da votação para deputados mais conservadores, mais alinhados à direita. No seu entender, isso também pesou para a obtenção desses números?Isso mostra a vontade de retomar alguns valores que vêm se perdendo na sociedade. Por isso, temos uma grande bancada em níveis estadual e federal. A gente espera, e as pesquisas indicam, que o ex-ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, Republicanos) se eleja governador e, assim, teremos maior espaço para diálogo, proximidade para a aprovação de pautas importantes. Mobilidade urbana é uma das pautas que o senhor elencou como prioridade, com ênfase no VLT e a questão da Curva do S, em Praia Grande. O que pretende fazer, de modo efetivo?Em primeiro lugar, pretendo conseguir recursos. Já existe a previsão orçamentária para a terceira fase do VLT, mas, hoje, ela está travada por conta da situação da Ponte dos Barreiros (em São Vicente), você precisa de uma outra estrutura metálica. Já tem o dinheiro programado, mas precisa, de fato, efetivar (o início das obras). E não precisa esperar a conclusão da segunda fase para efetivar isso. A questão da Curva do S é a mesma coisa. E, claro, junto ao Governo Federal, insistir na ligação seca entre Santos e Guarujá, que virou quase uma lenda urbana. Hoje, ela é refém da desestatização do Porto. Outra bandeira sua, ao longo do seu mandato, foi a da implantação das escolas cívico-militares. Quais os seus planos para esse modelo de ensino aqui na região?O programa era federal. Tínhamos, na previsão do Governo Federal, duas escolas por ano, por estado. Em quatro anos, daria oito escolas no Estado de São Paulo. Com a nossa luta, conseguimos implementar 18. A adesão dos municípios é gigantesca. A gente esbarrou, muitas vezes, no Governo do Estado, que colocou duas escolas, mas prejudicou em outras, atrasando prazos, não queria cumprir. Criavam problemas que, na verdade, não eram problemas efetivos, mas políticos. Então, dentro da realidade política, caso se concretize a eleição de (Jair) Bolsonaro (à Presidência) e Tarcísio, teremos uma expansão do programa. A expectativa é de que possamos implementar, em média, de 15 a 20 escolas por ano. Na Baixada, seriam mais duas (já há duas), uma delas em Santos. Não teme que a aposta mais ampla nas escolas cívico-militares não crie uma espécie de elite entre os alunos delas, em detrimento de outras instituições de ensino estaduais que merecem maior atenção?Muitas pessoas acabam com essa visão porque comparam aos colégios militares. São coisas distintas: os colégios militares têm como público-alvo os filhos de militares, precisam de prova para entrar, são mais caros que os colégios convencionais. As escolas cívico-militares, não. Elas pegam esse modelo de excelência e copiam, numa formatação pública, gratuita e de acesso a todos, de acordo com o critério do município ou Estado. É a chamada “regra do compasso”, na qual quem mora no bairro ou na região vai ter a possibilidade de se matricular. É um investimento que compensa quando você vê os resultados na prática. E as demais escolas estaduais, como pensa as melhorias para essas instituições de ensino?A Educação tem um processo de melhoria que precisa passar por vários setores. Desde a formatação de estruturas das escolas, a formatação de equipamentos e reajuste salarial aos professores e também identificar os maus funcionários. Não adianta investir em Educação sem se preocupar (com essas questões). Hoje, muitos trabalham com medo. Muitos se sentem ameaçados dentro de sala de aula. Muita gente confunde liberdade com libertinagem. Essa atuação, principalmente para dar segurança ao profissional, vai evitar que ele se afaste, ter profissionais mais motivados. Sobre segurança pública, quais são os pleitos possíveis para os policiais e que ajudem a aumentar a sensação de segurança da população?Hoje, temos a melhor polícia entre as unidades da Federação e a que menos recebe. Mas a questão não é apenas remuneração. Hoje, dos 18 helicópteros que nós temos dentro da Polícia Militar, nenhum é blindado. Hoje, você tem dificuldade com armamentos. Precisa de equipamentos condizentes. E, principalmente, você precisa motivar o policial. Porque, hoje, ele não tem assistência jurídica, de saúde, e ele atua com medo. Vai para a rua temendo tanto pela própria vida, como da mão pesada do Estado. O policial tem frações de segundo para tomar uma decisão. O grande erro deve ser identificado e punido. Mas, durante alguma ação, você não pode imaginar que o policial é um robô e que, às vezes, precisa ser mais enérgico. O senhor disse que tem um projeto para o setor.Temos um projeto que protocolei na Assembleia e que dá muito certo nas Forças Armadas. Pega-se o agente que aposentou cedo, na faixa dos 50 anos e que, na fase final, já fica no setor administrativo. Seria trazê-lo de volta, com o ganho de mais um terço do seu salário da inatividade. Fazendo essa transição, você consegue até mais 3 mil homens na rua. E quanto à saúde? Há diversas carências aqui na região. Como será sua atuação nesse tema esse segundo mandato?Ela passa muito mais, na minha visão, por uma questão federal do que estadual, não tirando a responsabilidade do Estado. A correção da Tabela SUS é algo urgente. Não tem como sustentar um hospital dessa forma. Hoje, é um grande bloco de gelo que você apenas enxuga. Outra questão importante de saúde são a visibilidade e a transparência nos prontuários médicos, em que você consiga, dentro de um prontuário eletrônico, ver de fato o paciente, por onde ele passou, se é recorrente, as incidências, tanto para inibir atendimentos não necessários como ir a fundo em doenças. Sua votação expressiva o credencia a sonhar com voos mais altos. A Prefeitura de Santos é uma possibilidade?Vivo um dia de cada vez. Brinco que quem dá um passo maior que a perna tropeça e cai. Para 2024, não é um pensamento. Mas não posso dizer sobre o futuro. Para essa próxima legislatura, não é uma intenção. Minha votação na Baixada me faz olhar para todas as cidades, e não apenas Santos.