[[legacy_image_155755]] A prefeita de Praia Grande, Raquel Chini (PSDB), foi eleita, no dia 22, presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb). Na avaliação dela, o colegiado deve priorizar três questões: mobilidade urbana, habitação e desenvolvimento econômico. A chefe do Executivo defende o fortalecimento da Agência Metropolitana (Agem) e que os colegas indiquem pessoas comprometidas às câmaras temáticas do Condesb. Confira os principais trechos da entrevista, concedida na última quarta-feira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como se deu a escolha do nome da senhora para presidir o Condesb? Foi um consenso dos prefeitos. No ano passado, eu havia conversado com o Caio Matheus (PSDB, prefeito de Bertioga), e disse que gostaria de assumir essa função, mas ele falou que não poderia ter essa responsabilidade no momento. Com a minha passagem pela Agem, houve o entendimento de que seria mais leve levar o Condesb pelo conhecimento do trabalho e por conhecer as pessoas de lá. Coloquei meu nome à disposição, mas, se houvesse o consenso em torno de outro, eu estaria junto. O importante é unir as forças dos nove municípios para trabalhar em prol da região. Na sua visão, a dinâmica dos trabalhos do colegiado deve ser afetada por estarmos em um ano eleitoral? Todo mundo acha que é um ano difícil, mas eu acredito que será um ano mais tranquilo. Em um ano de eleição, é preciso fazer com que os candidatos cumpram com o seu papel. Eu fico sempre me questionando como se faz um plano de governo. Eu sei fazer um plano de governo, mas a gente não faz isso sozinha e, sim, com uma equipe. É preciso que as equipes de candidatos a presidente e a governador possam enxergar as regiões metropolitanas, conhecer as demandas e incorporá-las aos planos de governo. Eu vou aproveitar esse início de trabalho para a gente conversar com os futuros candidatos e levar as demandas da Baixada Santista. Além disso, vamos trabalhar muito. Temos o plano de mobilidade em andamento, que é muito interessante. Precisamos fazer um diagnóstico completo da área de habitação e mantê-lo atualizado. Vamos precisar da união dos prefeitos e da indicação de pessoas comprometidas para fazerem parte das câmaras temáticas do Condesb. É preciso ter pessoas que representem, de fato, os prefeitos nesses grupos e que elas levem as discussões aos chefes do Executivo. Caso contrário, não vamos avançar. Qual é o atual estágio do Plano Regional de Mobilidade Sustentável da Baixada Santista? A gente vai estreitar as discussões sobre esse plano junto aos fóruns Nacional e Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, que possuem técnicos maravilhosos. Já presidi o Fórum Paulista e vamos aproveitar isso para trazer experiências positivas de outras localidades para o nosso plano. A pesquisa origem-destino já foi realizada. Há dados sobre a origem e o destino de bicicletas, automóveis, ônibus. Esse trabalho também é fruto de uma parceria firmada com as empresas de transporte, que estão abrindo as suas informações. A gente teve um trabalho muito intenso nos últimos dois anos. Temos tudo para ter um plano excelente para a região. A Baixada Santista tem importantes projetos nessa área que ainda não saíram do papel, como a implantação do BRT (transporte rápido por ônibus, na sigla em inglês) e a ampliação do trajeto do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). A cobrança será maior pelo fato de a senhora conhecer bem essa área? Desde o final dos anos 1990, vínhamos discutindo a questão do VLT. Foi uma vitória a instalação do primeiro trecho entre São Vicente e Santos. Estamos lutando para que esse transporte chegue até Praia Grande. O Condesb não é um órgão do Executivo. O presidente do colegiado não gerencia as demandas e os serviços de caráter metropolitano, como o saneamento e o transporte. Deveria haver uma gestão metropolitana, mas não é assim. Trabalhamos na Agem a questão do transporte hidroviário de passageiros e o VLT. A gente vai em busca do apoio político sempre e mostra a importância disso para o governador. Vamos fazer isso novamente, mas pretendemos ir além. Está na hora de a força política da região somar esforços e brigar para termos uma gestão metropolitana de fato, para que o colegiado possa buscar recursos para cobrir essas demandas, mas não temos esse formato jurídico que permita isso. Vamos pedir para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional para reformular e fortalecer a Agem. O Condesb é que orientará os trabalhos da autarquia. Como o Condesb pretende avançar na questão habitacional, já que a Baixada Santista possui o maior deficit de moradias após a Região Metropolitana de São Paulo? Uma das medidas é o aprimoramento do controle para impedir novas invasões, que precisa ter um trabalho forte e com uso de tecnologia para monitorar as áreas de risco e de preservação ambiental. Em Praia Grande, temos convênio com a Polícia Federal e conseguimos acompanhar isso em tempo real. O que eu consegui de positivo em Praia Grande, e os avanços obtidos pelo (prefeito) Válter Suman (PSDB) em Guarujá, por exemplo, devem nortear uma ação metropolitana. Precisamos ter um repositório para projetos. Eles não devem ficar guardados a sete chaves, e as experiências positivas devem ser replicadas. O programa do Governo do Estado permitiu a retirada de muitas famílias das palafitas e estamos buscando programas do Governo Federal para viabilizar moradias para famílias que ganham até R\$ 1,9 mil por mês. Por esse motivo, é importante ter deputados federais da Baixada Santista comprometidos para brigarem por essas demandas regionais. A senhora disse que pretende trabalhar para reformular e fortalecer a Agem. Quais são as suas ideias para a autarquia? Desde quando saí de lá, em 2020, não houve nenhuma alteração jurídica. Eu defendia que a autarquia precisa ter autonomia, um quadro com servidores concursados, para não ficar refém de ninguém. Nossa briga seria fazer uma reforma administrativa, mas isso é uma competência do governador. Acredito que está em fase final uma proposta nesse sentido para manter o funcionamento de uma autarquia importante, independentemente de quem ou do partido político que está no governo. Já em maio de 2019, após assumir a Agem, a senhora destacou a necessidade de os prefeitos designarem pessoas de confiança para as câmaras temáticas do Condesb, pois alguns prefeitos chegavam às reuniões sem conhecer detalhes dos assuntos em pauta. A senhora pretende reiterar essa cobrança aos seus colegas do Executivo? Eu até discuti isso hoje (quarta-feira) com a minha equipe. O segredo para a gente conseguir um trabalho que realmente atenda os anseios dos nove municípios é ter nove representantes que estejam comprometidos com o trabalho. Volto a dizer que não adianta o prefeito indicar uma pessoa para a câmara temática por obrigação ou ter uma rotatividade muito grande de servidores, pois as informações não vão chegar ao secretário e ao prefeito. Precisamos ter representantes comprometidos para que os prefeitos tenham acesso às informações que estão sendo discutidas. Às vezes, nem a pauta da reunião do Condesb está chegando para os prefeitos. Pretendemos fazer uma reunião sobre essa questão. Além da mobilidade urbana e da habitação, a senhora pretende priorizar mais algum tema no Condesb? Precisamos trabalhar no desenvolvimento econômico e na capacitação dos trabalhadores para atuarem em grandes empreendimentos, como o Complexo Andaraguá, em Praia Grande, e a rodoferrovia entre a Grande São Paulo e a Baixada Santista. Precisamos oferecer ferramentas para as pessoas que foram prejudicadas durante a pandemia de covid-19 serem inseridas novamente no mercado de trabalho. O desenvolvimento econômico é essencial. Muitos cidadãos não compreendem e criticam o trabalho do Condesb e da Agem. Essas queixas também partem de integrantes da classe política. Como é possível reverter essa imagem negativa? A melhor resposta é sempre o trabalho e mostrando os resultados para as demandas que a população precisa. O Condesb reúne os nove prefeitos, nove órgãos do Estado e passará a ter 18 representantes da sociedade civil. A Agem é a secretaria, é o escritório do Condesb, é quem vai desenvolver os trabalhos definidos. A agência é um órgão técnico e precisa ser estruturado por servidores de carreira para mostrar aos ocupantes de cargos comissionados todo o conhecimento acumulado. Muitos projetos realizados pela Agem são utilizados por estudantes nos trabalhos de conclusão de curso, na pós-graduação e em mestrados. Algumas informações importantes foram perdidas com a saída de algumas pessoas que ocupavam cargos comissionados. A informação foi embora e só conseguimos resgatá-la por causa da amizade. A autarquia é uma agência de planejamento para reunir dados e pensar em soluções para os problemas da região.