Rua Aguiar de Andrade ficou tomada pelos escombros do muro (Daniel Rodrigues/AT) A forte ventania que atingiu o litoral de São Paulo no início da tarde desta quarta-feira (29) deixou um rastro de estragos pela região. As rajadas ultrapassaram os 100 km/h, provocaram a morte de um homem em Santos, derrubaram árvores, postes e o muro de uma empresa, danificaram veículos e levaram ao fechamento do canal de navegação do Porto de Santos. Travessias por balsas também precisaram ser interrompidas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, Itanhaém registrou rajadas de 111 km/h. Diante da intensidade dos ventos, o órgão disparou um alerta para celulares de moradores do litoral, orientando a população a procurar abrigo, evitar áreas descobertas e não permanecer debaixo de árvores ou postes. A ocorrência mais grave foi registrada na Avenida Almirante Cochrane, no Canal 5, em Santos. Um homem, ainda não identificado, morreu após ser atingido por uma árvore que caiu durante a ventania. Também em Santos, um muro de uma empresa desabou na Rua Aguiar de Andrade, no bairro Paquetá, no início da tarde. A queda da estrutura deixou um cenário de destruição: duas carretas foram atingidas, três postes de energia caíram e um veículo SUV sofreu danos. Quando A Tribuna esteve no endereço, havia tijolos e escombros espalhados pela pista, cavalos mecânicos parcialmente encobertos pelo concreto e fios de energia caídos sobre a via. Conforme apurado pela reportagem no local, pelo menos dois funcionários de uma empresa próxima passavam pela rua quando foram atingidos. Em nota, a Dínamo Inter Agrícola confirmou que o muro do armazém situado na Rua Aguiar de Andrade desabou em decorrência dos fortes ventos. A companhia, porém, informou que não houve feridos no incidente. Ventania fecha Porto de Santos A forte ventania também afetou diretamente as operações no maior porto da América Latina. Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), foram registradas rajadas de aproximadamente 50 km/h, com picos superiores a 90 km/h, no início da tarde desta quarta-feira (29). Por segurança, a navegação no estuário foi suspensa às 12h45. Uma boia de sinalização do canal de navegação chegou a ser deslocada pelo vento, e a entrada e saída de navios cargueiros foi retomada às 17h10 após a recolocação do equipamento, providenciada pela APS. Na área do Porto Organizado, as operações na Ilha Barnabé, especializada na movimentação de granéis líquidos químicos e combustíveis, foram interrompidas preventivamente e retomadas às 14h10. A ventania também provocou a queda de várias árvores, incluindo uma de grande porte no terminal de granéis líquidos da Alemoa. Equipes da APS foram mobilizadas para fazer a retirada. Apesar da intensidade das rajadas, não houve registro de queda de contêineres na área sob jurisdição da Autoridade Portuária. Árvores caem pela região A Tribuna também recebeu imagens e relatos de quedas de árvores em diferentes pontos da Baixada Santista durante a tarde desta quarta-feira. Os episódios ocorreram justamente no período em que a Defesa Civil Estadual alertou para a possibilidade de fortes rajadas de vento no litoral paulista. A orientação do órgão é buscar abrigo durante as rajadas, evitar áreas abertas e manter distância de árvores, postes, estruturas metálicas e outros objetos que possam cair ou ser arrastados. Ventania começou na noite anterior Os problemas provocados pelo vento começaram ainda na noite de terça-feira. Em Santos, a estação meteorológica da Praticagem de São Paulo, localizada na Ponta da Praia, registrou ventos de 63 km/h às 21h30. As condições adversas levaram à suspensão temporária de travessias litorâneas como medida preventiva. Na ligação Santos–Guarujá, a operação ficou interrompida das 21h58 às 22h46. No período, os ventos chegaram a 63 km/h. Já a travessia Bertioga–Guarujá permaneceu suspensa por mais de duas horas, entre 22h15 de terça-feira e 0h25 desta quarta. No Litoral Sul, a travessia Iguape–Juréia também foi afetada e ficou paralisada entre 19h20 e 19h52. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), as interrupções foram preventivas e fazem parte dos protocolos de segurança adotados em situações meteorológicas adversas. Tela de prédio se solta em Praia Grande Em Praia Grande, a ventania provocou outro susto. Uma tela de proteção instalada em um prédio na Avenida Presidente Castelo Branco, na orla, se soltou com as rajadas e ficou presa à rede elétrica. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a estrutura sendo movimentada pelo vento antes de atingir a fiação, causando preocupação entre moradores, pedestres e motoristas. Equipes da CPFL foram acionadas para realizar os procedimentos de segurança, isolar a área e retirar o material preso à rede. No levantamento realizado anteriormente por A Tribuna, a Prefeitura de Praia Grande havia informado que a Defesa Civil municipal não tinha sido acionada para ocorrências relacionadas à ventania.