[[legacy_image_238189]] Sorrir tem sido uma tarefa impossível para Alexandre Carvalho. Logo ele que sempre se alegrou em provocar isso na mulher Rosemeire Aparecida Ribeiro. A vida do controlador de acesso de 50 anos mudou radicalmente em 19 de dezembro do ano passado, quando ela, aos 54 anos, morreu uma semana depois de ter dado à luz às gêmeas Aylla e Antonella no Hospital São Lucas, em Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Nos conhecemos em 2020 e fomos tendo uma ligação muito forte entre nós. Gostávamos muito um do outro. Nunca brigamos nesses pouco mais de dois anos que convivemos. Ela perguntava para mim se eu queria ser o presente dela. E eu dizia que sim. Mas, na verdade, ela que foi meu grande presente. Eu falei e agradeci isso com ela em vida. E ela que acabou me deixando dois presentes", conta, emocionado. Rosemeire sentiu falta de ar por volta de 21 horas daquela noite e foi imediatamente encaminhada para o Hospital Ana Costa de São Vicente. Ela recebeu oxigênio e passaria por tomografia, o que foi possível na unidade de Santos, para onde foi transferida. Mas ela acabou não resistindo, depois de sofrer uma parada cardíaca. Pouco tempo antes da morte, Rosemeire ainda contava orgulhosa do parto e de toda a repercussão aos médicos e enfermeiros, em história acompanhada por A Tribuna. "Tem sido muito duro. Quando eu lembro, me emociono bastante. Nos primeiros dias, foi muito difícil. Eu chorava muito. Ainda dói bastante, mesmo passado quase um mês. Não é fácil. Perdi a pessoa mais fantástica que eu conheci na minha vida", afirma, embargando a voz. Presente e futuroA chegada das gêmeas uniria totalmente o casal. Eles ainda moravam em casas separadas em São Vicente - ela na Vila Margarida e ele, no Jardim Independência. Ainda não se sabia exatamente na residência de quem os dois tocariam a nova vida, mas essa realidade já estava definida. Atualmente, as bebês estão na casa de Rosemeire, cuidadas por Meire, irmã dela, pelo fato de Alexandre ainda não estar com a mente totalmente organizada para isso. "Infelizmente ela se foi, está doendo e é algo que vai demorar a passar. Vai ser um luto eterno. Estou na minha casa, mas sempre indo ver as meninas. Sou muito grato por isso e elas estão sendo muito bem cuidadas", conta. Em meio à constante pergunta do 'Por que aconteceu comigo?', Alexandre faz um exercício, deixando uma questão divina. Ou melhor, um pedido muito especial que faz a emoção transbordar. "Se Deus me concedesse isso, gostaria de um dia poder encontrá-la. Foi uma pessoa muito especial na minha vida. E vai continuar sendo. Nunca é um adeus. Era uma pessoa maravilhosa, sem maldade nenhuma, que gostava de ajudar. Foi uma perda irreparável. Se fosse concedido isso um dia, gostaria de poder ficar com ela onde ela estiver quando eu partisse daqui", comenta.