[[legacy_image_206005]] Setembro começou, e, junto com ele, o tempo de olhar para o próximo. Este sábado (10) é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, tema que, apesar de ainda ser um tabu, precisa ser falado. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2021, mais de 12 mil adolescentes com idade entre 10 e 19 anos foram internados após tentativas de suicídio. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A psicóloga Luciana Nakai, da Unidade de Saúde da Família de Itanhaém, atende há mais de 20 anos no Sistema Único de Saúde (SUS) e notou o aumento de jovens com crises de ansiedade e depressão, principalmente após a pandemia. "Os jovens que atendo, geralmente, ganham responsabilidades muito cedo e se cobram demais. Essa falta de afetividade, eles sentem muita falta. Ambos os pais trabalham, há uma certa ausência, até de espaço de reuniões familiares, de escuta entre a família". Nakai aponta que os primeiros sinais a serem notados nos jovens é a falta de interesse em atividades que antes davam prazer a esses jovens. Além disso, o isolamento em excesso também é um sinal de alerta. "Ficam o dia todo no quarto, dormem demais ou começam a ter crises de insônia. Baixa produtividade na escola, dificuldade de concentração, queda no rendimento, falta de motivação, baixa autoestima, insegurança, entre outros". Para a psicóloga, a dica de ouro é não julgar e não achar que os sinais são para chamar a atenção. "É um pedido de ajuda, que, na maioria das vezes, é negligenciado". Ela ressalta a importância da família em estar junto com esses jovens durante essa fase difícil, escutando-os e evitando o uso do celular. "Hoje avançamos tecnologicamente, mas regredimos emocionalmente". A também psicóloga Renata Persike pontua que cada jovem reage de uma maneira diferente e que alguns se esforçam muito para esconder seus problemas da família, o que dificulta a percepção dos sinais. "Muitas vezes as famílias se sentem culpadas por ter demorado para perceber. Mas uma coisa muito comum é essa mudança de comportamento, o jovem passa a conversar menos, se isolar, pode ficar mais agressivo, explosivo, se irrita com facilidade". A empatia, para ela, é a melhor maneira de ajudar quem passa por esse problema, assim como respeitar o tempo dessa pessoa. "Como você gostaria que as pessoas agissem com você, se você não estivesse bem? Ninguém gosta de ter sua privacidade invadida, ser forçado a falar, então a melhor forma é estar sempre por perto, aberto a escutar sem julgamentos. Quando olhamos um problema do lado de fora, a solução parece ser muito simples, mas para a pessoa que está sofrendo não, é doloroso até falar sobre o que está acontecendo". O momento de buscar um profissional, tanto um psicólogo como um psiquiatra, segundo Persike, é quando perceber que existe um problema e que ele não está melhorando. É de suma importância, segundo ela, que haja um acompanhamento psicológico quando há necessidade de tratamento medicamentoso com um psiquiatra.