[[legacy_image_265005]] Coordenador da Central Única das Favelas na Baixada Santista, Deraldo Silva fala nas iniciativas da entidade, intensificadas após a pandemia. Uma delas é a Taça das Favelas, torneio de futebol que dá visibilidade a jovens. Também há ações de empreendedorismo e inclusão social. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Cufa tem mais de 20 anos de história no Brasil, é internacionalmente conhecida e, aqui na Baixada Santista, são quase 15 anos. Como tudo começou? Começou em meados de 2007 com basquete, hip-hop e vem atravessando esses anos. Eu assumi em 2018 e, logo em seguida, encaramos uma pandemia que mudou nossas vidas. Desde então, temos atuado em vários segmentos: esporte, cidadania, lazer, educação, empreendedorismo, empregabilidade, cursos para geração de renda... Avançamos dentro das comunidades, das periferias. Costumo até falar: “Transformando e sendo transformado também, pelas realidades que a gente encontra.” Você falou da pandemia, e foi justamente nela que o trabalho que vocês fazem de arrecadação e distribuição de alimentos precisou ser intensificado de forma gigantesca. É interessante falar que, nestes 20 anos da Cufa, a primeira vez em que ela vai a público pedir donativos é no início da pandemia. Foi quando percebemos a capilaridade e o quanto a solidariedade, as pessoas, a sociedade civil, as empresas, os grupos e governos, quando de fato querem, a gente consegue transformar a realidade local. Atravessamos a pandemia doando todo tipo de donativos. Iniciamos um programa chamado Mães da Favela, que é um dado dentro das comunidades: 47% são mães solo, mães de arrimo, que lutam, batalham no dia a dia, para suas famílias. Aí, foi doação de fralda, remédios, fraldas geriátricas... Teve de tudo. Mais recentemente, outro problema que afetou o Estado de São Paulo, principalmente as cidades do Litoral Norte e, também, Guarujá: vocês, novamente, se uniram e agiram. Sim. Em Barra do Sahy, houve aquela tragédia, com 65 mortes. Um cenário triste, desolador. Operamos numa base local da Cufa e, de novo, teve todo tipo de doação. Foi muito material de higiene pessoal, de limpeza, colchões... Mas ficou mutio gravado nas nossas vidas que, além do produto, foi a coisa mais humana. De levar o produto, o donativo, suprir a necessidade daquele momento, mas também ofertar um abraço. Cuidado, carinho, atenção. Fiquei durante um mês e quinze dias ajudando. Vimos de perto esse desastre e conseguimos contribuir um pouco. O trabalho de vocês visa a uma transformação na comunidade pelo lazer, pela cultura, pela educação, que, muitas vezes, as pessoas têm dificuldade de acesso a tudo isso. Temos vários projetos em níveis nacional, regional e local. A Taça das Favelas, um projeto nacional que é um torneio de futebol entre as favelas. Costumo falar que o primeiro gol é aquela mobilização com os atletas. Os critérios são matrícula escolar em dia, frequência escolar em dia, estar conectado a algum projeto social, não estar ocioso dentro da comunidade. Há toda uma mobilização, engajamento, integração entre as comunidades aqui na nossa região. A gente mobiliza por volta de mil a 1,2 mil jovens, por cidade, para participar desse torneio. Ele começa aqui, nos campinhos de terra das cidades; depois, vai para o Estado e, dali, para o nível nacional. Estamos em busca de a nossa região ser campeã nacional (risos). O auxílio é muito importante. As conexões feitas e a vontade das pessoas em crescer, também. Se a gente pegar a continuidade da pandemia, a proposta de oferecer cursos gratuitos de empregabilidade de empreendedorismo faz esse fluxo, essa transição da cesta básica, que vinha numa continuidade, dentro de uma assistência mensal, fazer com que elas (pessoas) passassem, agora, para uma autonomia. A proposta é que as pessoas que têm a ideia de empreender se ajustem agora, se formalizem. E a que quer buscar o primeiro emprego ou está desempregada e quer se recolocar possa ter seu desenvolvimento, elaborar seu currículo, se apresentar de uma maneira formal para uma entrevista, conhecer o mercado da nossa região, encontrar o seu perfil e a empresa correta para fazer essa conexão. Para encerrar: quais são os planos para o futuro, como a ampliação do atendimento? A proposta é avançar com os cursos, projetos sociais e incentivo à cidadania. Há um projeto, o Periferia Potentes, em que entramos na comunidade, para que a gente possa identificar problemas e levar solução para eles.