<p data-end="322" data-start="90">Comer pode ser sinônimo de prazer ou satisfação. Mas o ato de se alimentar também pode refletir a falta de apetite e dificuldade de ingestão. Essa condição tem nome: transtorno alimentar seletivo. Ela acomete, sobretudo, crianças.</p> <p data-end="538" data-start="324">Para lidar com a questão, um projeto piloto da Casa da Esperança de Cubatão tem transformado a vida de meninos e meninas com deficiência ou transtorno do espectro autista (TEA) que não conseguem se alimentar bem.</p> <p data-end="700" data-start="540">A iniciativa, chamada Seletividade Alimentar, ajuda a ampliar a aceitação de alimentos por meio de atividades lúdicas e acompanhamento profissional gratuitos.</p> <p data-end="982" data-start="702">O projeto surgiu da percepção da equipe da entidade, que viu crianças com dificuldade ao comer. “Não aceitavam alimentos fundamentais para o desenvolvimento, e algumas começaram a ter baixo peso”, explica a terapeuta ocupacional Juliana Grillo, uma das idealizadoras do projeto.</p> <p data-end="1403" data-start="984">Entre brinquedos, alimentos, sorrisos e o cuidado de profissionais, crianças são apresentadas à comida, ao cheiro, à textura e ao gosto dela. “Trazemos a receita para eles. Lemos juntos e falamos o que leva aquele prato. Depois, o fazemos juntos e o experimentamos. Trabalhamos muito com a questão sensorial dessas crianças, além de estimular que as receitas também sejam feitas em casa com os pais”, diz a terapeuta.</p> <p data-end="1665" data-start="1405">O projeto encerrou a primeira turma. As aulas foram uma vez por semana, por uma hora, e ocorreram durante um ano e meio. Ao final, as crianças receberam uma medalha: a formatura foi na quarta-feira, e outra turma já é preparada para entrar em acompanhamento.</p> <p data-end="1944" data-start="1667"><strong data-end="1682" data-start="1667">Não é birra</strong><br data-end="1685" data-start="1682" /> A fonoaudióloga e também idealizadora da iniciativa, Ione Nunes, afirma que a seletividade não é birra da criança. “Uma das características do nosso projeto é o respeito pela condição em que ela chega aqui. Então, passamos por várias etapas para ela comer.”</p> <p data-end="2171" data-start="1946">“Como atuamos com autistas, sabemos que grande parte das crianças apresenta rigidez em aceitar coisas novas. Já faz parte do quadro. E não fica só na comida: vai desde um caminho novo, uma roupa ou pessoa nova no convívio.”</p> <p data-end="2829" data-start="2423"><strong data-end="2458" data-start="2423">Da mamadeira a um prato variado</strong><br data-end="2461" data-start="2458" /> Quem hoje vê Kauê, de 5 anos, comendo bem e feliz, nem imagina que, antes de entrar no projeto, há um ano, ele quase não se alimentava. “Ele só tomava mamadeira, não comia nada. Também tinha que ser algo colorido. E, como mãe, ficava desesperada. A gente é julgada e apontada pelos outros. Muitos até dizem para deixar o menino com fome”, conta a mãe, Ângela Rabelo.</p> <p data-end="3053" data-start="2831">Comer na escola era um dos maiores problemas, pois Kauê, com TEA, ficava horas sem se alimentar. Com o projeto, a mudança foi radical. “É inacreditável. Ele come macarrão, doces, frutas, coisas de que nem chegava perto.”</p> <p data-end="3305" data-start="3055">Cada mordida é uma vitória, ainda mais com a formatura dos pequenos. “Eu já fui a uma festa de aniversário em que o Kauê ficava se escondendo embaixo da mesa de doces, por medo. Hoje, ele quer cantar parabéns com o aniversariante, comer e brincar.”</p> <p data-end="3576" data-start="3307">Esse é apenas um dos retornos recebidos, de acordo com Ione Nunes. “Os pais fazem o que preparamos em casa, como também provam aqui. Os pais explicam que, às vezes, o filho deles não comia um alimento e, depois, começou a experimentar. Isso nos deixa muito animadas.”</p> <p data-end="3576" data-start="3307"><strong>Aonde ir</strong></p> <p data-end="232" data-start="73">O atendimento é na Casa da Esperança de Cubatão Dr. Leão de Moura, que fica na Rua XV de Novembro, 180, na Vila Nova, das 8 às 17 horas. Telefone: 3361-1288.</p> <p data-end="480" data-start="234">A instituição é filantrópica e civil de direito privado, sem fins lucrativos, com objetivos de recuperação física e mental, readaptação e inclusão social. Há serviços médicos ambulatoriais e odontológicos. Fundada em 1980, assiste 515 crianças.</p>