Pesquisador Luis Francisco Vargas-Madriz expôs mudança no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes no 4º Encontro Internacional de Educação Midiática (Instituto Palavra Aberta/Instagram) A partir de 2029, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), principal exame comparativo da educação mundial, passará a avaliar também conhecimentos em educação midiática e inteligência artificial. A mudança, apresentada na quinta-feira, em São Paulo, pelo pesquisador Luis Francisco Vargas-Madriz, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), amplia o conceito tradicional de aprendizagem ao incluir competências ligadas ao uso crítico da informação e das tecnologias digitais. O novo eixo do exame, chamado Media and AI Literacy (Mail), avaliará se estudantes de 15 anos conseguem interpretar informações em ambientes digitais complexos, identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial, diferenciar fatos de opiniões e tomar decisões informadas no ambiente on-line. A proposta busca fortalecer capacidades humanas como ética, criatividade, julgamento, responsabilidade e autonomia intelectual diante da crescente automação da vida social e da profissional. A apresentação ocorreu no 4º Encontro Internacional de Educação Midiática, realizado pelo Instituto Palavra Aberta, na ESPM, reunindo especialistas nacionais e internacionais, representantes de governos, academia, plataformas digitais e organizações da sociedade civil. Leitura crítica Segundo Vargas-Madriz, o Pisa 2029 pretende medir se os estudantes conseguem agir de forma crítica e responsável em contextos digitais complexos. A avaliação também observará se os jovens compreendem como algoritmos influenciam a circulação de informações e a formação de opiniões. O exame manterá as áreas tradicionais de leitura, matemática e ciências, mas incluirá tarefas em ambientes digitais com textos, imagens e vídeos. Os estudantes precisarão comparar fontes, verificar informações e avaliar a confiabilidade de conteúdos, prática conhecida como leitura lateral. Em um dos cenários, os alunos assumem o papel de profissionais de uma redação jornalística e precisam checar dados antes da publicação. A dimensão ética também ganha destaque. O Pisa observará se os estudantes entendem as consequências de suas escolhas no ambiente digital e se conseguem atuar com responsabilidade em situações reais de uso da informação. O modelo dialoga com temas como liberdade de expressão, inclusão social, direitos civis e desenvolvimento sustentável. Avaliação Especialistas presentes ao encontro defenderam a ampliação da educação midiática no Brasil. Adauto Soares, coordenador do Setor de Comunicação e Informação da Unesco, afirmou que o tema precisa alcançar mais redes de ensino e envolver setores da sociedade. Bruno Ferreira, coordenador pedagógico do EducaMídia, destacou a falta de formação continuada para professores no uso de tecnologias digitais. Carla Aragão, diretora de Inovação e Tecnologia do Instituto Anísio Teixeira, defendeu o uso pedagógico da tecnologia para reduzir desigualdades. Douglas de Oliveira Calixto, jornalista e pesquisador, afirmou que a inteligência artificial deve ser tratada como complemento da atividade humana, não só como ferramenta. Os participantes também ressaltaram a necessidade de transparência das plataformas digitais, proteção de direitos no ambiente on-line e formação crítica dos estudantes diante do consumo massivo de informações. Reforçou-se a importância da educação midiática como ferramenta para fortalecer cidadania, autonomia intelectual e participação social em um cenário cada vez mais digitalizado.