[[legacy_image_262127]] Conceição Prates Poltronieri, aposentada e moradora de Itanhaém, era professora primária em 1975, ano em que lecionou à autora da carta A antiga professora recebe ajuda da filha, Patrícia, também docente aposentada, que publicou um vídeo Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Olá, professora. Não digo ex-professora, pois a primeira é sempre a mais lembrada e, portanto, para mim você não é alguém que foi e, sim, alguém que sempre será. (...) Sou uma ex-aluna e me identifico assim, pois sei que jamais se lembrará de mim, afinal, eu era uma entre cerca de 40 da turma de primeira série do ano de 1975. Cheguei em agosto à sua classe, muito assustada e chorosa, já que era quase final do ano letivo e eu ainda estava muito atrasada. Já tinha completado 11 anos e era uma caipirinha que acabara de chegar de um sítio no Jardim Coronel, onde morava com meu pai e minha madrasta. (...) Nunca esqueci de você, e outro dia, passando de ônibus, sem querer descobri sua casa e resolvi escrever essa cartinha em agradecimento por tudo que representou e sempre representará para mim. (...) Sei que não se lembrará de mim, mas isso não é importante. Apenas quero que saiba que eu a guardarei para sempre em minha quase vazia caixinha de boas lembranças da infância com especial carinho e cuidado... Assinado: Maria de Lourdes." Esses são trechos de uma carta, longa e amorosa, escrita em 2006 e deixada na porta de sua ex-professora do antigo Primário, Conceição Pereira Prates Poltronieri, hoje com 75 anos, aposentada e moradora de Itanhaém. Assinada por uma Maria de Lourdes, a carta não tem paradeiro, telefone, endereço fixo ou e-mail. Nem sequer tem o sobrenome completo da então aluna de Conceição no longínquo 1975. A falta de informações mais completas angustia há 17 anos não só a antiga professora, mas também sua filha, Patrícia, de 50 anos. “Eu queria apenas encontrá-la para agradecer pessoalmente. Ela não sabe o bem que me fez ao deixar essa carta na minha porta”, diz Conceição. Patrícia, também professora aposentada, complementa a resposta: “Nos tempos que estamos vivendo, em que o professor é tudo, menos reconhecido pelo seu trabalho, ter uma manifestação de carinho como essa não tem preço”. HistóriaConceição nasceu em Nhandeara, Interior de São Paulo, e foi morar em Itanhaém em 1971, movida pelo trabalho cartorário do marido, Antenor, falecido há quase um ano. Formada no Magistério, começou a dar aulas como professora substituta na rede estadual. Trabalhou em escolas como Benedicto Calixto e Zilda Natel. Em 1978, com a filha pequena, prestou concurso para oficial de Justiça, passou e deixou as salas de aula. “Os horários como oficial de justiça eram flexíveis, e eu conseguia conciliar o trabalho com os cuidados de mãe”. O tempo passou, a filha cresceu, e Conceição se aposentou. SurpresaConceição, o marido e a família da filha sempre moraram em Itanhaém. Em 2006, a campainha de Conceição tocou e a empregada foi atender. A visita perguntou pela dona da casa e, como não estava, deixou apenas a carta, digitada, dentro de um envelope. “Eu fiquei surpresa e emocionada quando comecei a ler a carta. Não parava de chorar”, lembra a ex-professora, que não tem ideia de quem seja Maria de Lourdes, tantos foram os alunos que passaram por suas aulas nos tempos de Primário. Nestes 17 anos, Patrícia fez de tudo para encontrar o paradeiro da ex-aluna da mãe: peregrinou pela vizinhança, buscou na Secretaria de Educação de Itanhaém, perguntou às amigas professoras, mas nada fez chegar à autora da carta. Por fim, gravou um vídeo e o publicou em seu canal no YouTube. Ali, faz um apelo: “Se você conhece essa Maria de Lourdes, por favor, fala pra ela me procurar. Eu gostaria muito de fazer esse reencontro entre ela e a minha mãe. E dar um abraço nela e dizer o quanto maravilhosa ela é”.