[[legacy_image_214780]] Aos 92 anos, a professora aposentada Maria de Lourdes São Marcos voltou à sala de aula. Retornou à Escola Municipal Mário de Almeida Alcântara, no Valongo, em Santos, para receber a homenagem de uma ex-aluna: Cleide Augusto, de 66 anos, alfabetizada por Maria. Elas reviveram memórias daquele tempo, e Cleide disse ter se inspirado na ex-docente para exercer o magistério. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O encontro ainda rendeu um papo com outro ex-aluno de Maria: Jorge Antônio Souza, de 53 anos, que hoje leciona Língua Portuguesa na escola. Cleide e Maria de Lourdes visitaram classes do Mário de Almeida Alcântara e relembraram como eram as aulas. A ideia se deveu ao Dia do Professor, lembrado hoje. Professora Lourdes, como sempre foi chamada, é conhecida de muitos que ali trabalham até hoje e acumula histórias, principalmente por seu jeito terno e generoso — mesmo sendo uma professora linha dura, segundo Souza. “Meus alunos sempre foram meus amiguinhos. Eu nunca levei um sequer para a diretoria e ainda todos me respeitavam. E a Cleide e eu viramos amigas. Ela era uma de minhas melhores alunas e tinha uma letra linda”, conta. Para Cleide, a atenção dada aos alunos a inspirou. Maria de Lourdes foi professora de Cleide em 1964, durante a ditadura militar. “Lembro que foi um período duro, difícil. Mas na escola isso era aliviado pela professora Lourdes”, conta. A magistrada foi quem a ensinou a escrever e lhe despertou a vontade para a leitura. Cleide se tornou professora de alunos dos anos iniciais em Cubatão, onde se aposentou. Para Jorge Souza, que foi aluno de Lourdes em 1977, a professora sempre lhe foi inspiradora. “Ela sempre inovou, mesmo tendo poucos recursos na época. Recortes de revistas , jornais. Havia na biblioteca umas gravuras que ela pedia para nos inspirarmos e escrevermos histórias a partir do que víamos. Todos os meus primeiros incentivos à leitura foram a partir dela”, diz. Carreira Maria de Lourdes escolheu essa carreira com apoio da mãe, se formou e começou a lecionar aos 25 anos. No ano de 1983 se aposentou. Passar também por colégios municipais como Olavo Bilac, no Campo Grande, e Martins Fontes, no Morro da Penha. Formada também na rede pública, com o fundamental na escola José Bonifácio, na Vila Nova, a professora disse que muito do que aprendeu mudou, mas a essência do ensino é a mesma. “Antes, só passava quem realmente sabia. Hoje, muitos passam sem saber. Mas a essência do ensino é a mesma, e a importância da relação com os alunos continua. Por isso, eles sempre foram meus amiguinhos, sempre os tratei bem e, se essa relação se mantiver, o ensino também se manterá”, diz. Para Jorge Antônio Souza, a principal lição é a de que o professor mantém o desejo de passar o que sabe ao outro. “Tentar transmitir ao outro aquilo que eu recebi. Ter essa chama, essa inspiração e desejo de contribuir pela formação do cidadão, em relação à autonomia e ao desenvolvimento pessoal.